Freakpop Debulhando o Oscar 2014: 12 Anos de Escravidão

Começa mais uma temporada praticamente sem fim de premiações, e mais uma vez Doktor Brüce, Lady Freak, Sam Bass e nosso novo integrante Carlus Freek Keeks estão aqui para...

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Começa mais uma temporada praticamente sem fim de premiações, e mais uma vez Doktor Brüce, Lady Freak, Sam Bass e nosso novo integrante Carlus Freek Keeks estão aqui para oferecer críticas de todos o filmes de destaque da temporada para te fazer parecer entendido do assunto e impressionar seus amigos! O vencedor da estueta de Melhor Filme foi: 12 Anos de Escravidão!

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Amistad, Raízes, Lincoln, Django Livre, estes são alguns dos mais famosos filmes que abordaram a questão da escravidão nos Estados Unidos. Se prepare para esquecer todos eles. 12 Anos de Escravidão é o relato mais brutal, realista e sem misericórdia da vida miserável dos negros no Sul dos EUA antes da Guerra Civil. Baseado na autobiografia de Solomon Northup, um homem livre do norte que é sequestrado por criminosos e enviado ilegalmente para Nova Orleans para ser leiloado. Por 12 anos, Solomon assume a identidade de Pratt e passa por diversas plantações e proprietários diferentes, do benevolente relutante Ford (Benedict Cumberbatch) ao instável e cruel Edwin Epps (Michael Fassbender). Sua salvação, vem nas mãos de um benevolente canadense, Bass (Brad Pitt), que se arrisca para ajudar Solomon a se libertar.

12 Anos de Escravidão foi indicado em 9 categorias no Oscar incluindo: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Atriz Coajuvante e venceu as estatuetas de Melhor Filme e Melhor Atriz Coadjuvante.

Quem conhece o trabalho do diretor Steve McQueen (Fome, Shame), sabe que ele tem um talento singular para cenas obscenas, perturbadoras porém completamente necessárias para a trama. Aqui, a crueldade que os escravos passam é transmitida de forma agressiva, porém completamente sem emoção, apresentando a frieza e desapego dos donos de fazenda ao lidar com sua “propriedade”. Ao longo dos 12 anos de escravidão, Solomon relata a dinâmica das relações entre escravos e donos, os fazendeiros são completamente dependentes da mão de obra escrava e até os mais bondosos são relutantes em ajudar demais, por medo de serem isolados da comunidade ou sofrerem uma revolta por parecerem fracos. A bondade, para muitos escravos, não vem necessariamente do bom coração dos capatazes ou proprietários, mas sim, do risco em danificar uma propriedade valiosa e sofrer prejuízos no processo, escravos só morrem em casos extremos de desobediência.

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A atuação de Chiwetel Ejiofor, no papel de Northup é agonizante, um homem educado, alfabetizado com grandes talentos musicais que é forçado a ser pouco mais que um burro de carga e esconder sua verdadeira identidade para sobreviver. Ao contrário de Django Livre, não existe revanche, não existe vingança, Solomon baixa a cabeça e se esforça ao máximo para não sofrer represálias. Lupita Nyong´o, interpreta Patsey, uma  escrava de Epps que sofre o pesadelo de ser a paixão de seu mestre, a escrava preferida porém não ter nenhum conforto em vida, sua existência, em suas palavras, é um pesadelo. Ela implora constantemente para que Northup a mate, suas cenas de súplica dão nó no estômago de qualquer espectador.

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Em um ano onde a questão dos rolezinhos têm dividido grupos diferentes da sociedade, este filme transmite uma forte mensagem de como pessoas de etnias diferentes ainda tem muito o que aprender sobre conviver uns com os outros.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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