Freakpop Debulhando o Oscar: Django Livre

Faltando 2 meses para o Oscar, Brüce e Sam Bass vão ajudar você, caro leitor, a desbravar o complexo oceano de indicações de melhores filmes, diretores e o mais...

Faltando 2 meses para o Oscar, Brüce e Sam Bass vão ajudar você, caro leitor, a desbravar o complexo oceano de indicações de melhores filmes, diretores e o mais importante de todos… melhor edição de som. Se preparem para 2 meses de Nerd Reviews muito especiais!

O filme do dia é Django Livre de Quentin Tarantino!

A história começa com Dr. Schultz, um simpático dentista e pistoleiro que compra o escravo Django para ajudá-lo a caçar alguns bandidos que somente o escravo conhece. Depois disto, ambos se tornam amigos e caçadores de recompensa. Após alguns meses trabalhando juntos, o agora mortífero Django, com a ajuda do bom doutor, decide resgatar Broomhilda, a esposa de Django de um cruel escravagista chamado Calvin Candie.

Este ano, alguns dos destaques de Oscar de Melhor filme como Argo ou Lincoln e até mesmo Django parecem estar em uma missão de redescobrir a identidade americana. Após um ano particularmente complicado entre uma eleição presidencial repleta de pilantragem, um massacre escolar hediondo e uma discussão complexa sobre violência do dia a dia, os EUA parecem estar correndo atrás de algo que foi perdido há muito tempo. E Django, de forma polêmica, decide buscar isso em um dos momentos mais sombrios da história americana.

Agora, pedimos desculpas a Spike Lee, mas este filme é uma das contribuições mais positivas dos últimos tempos  para a cultura americana negra. Utilizando o pano de fundo de um western espaguete e filmes de blaxploitation, Tarantino constrói uma versão afro-americana da Canção dos Nibelungos, a lenda germânica que conta a história do herói Siegfried que passa por diversas provações para resgatar sua amada Broomhilda. A sacada de trazer uma saga alemã para se passar durante a escravidão americana é genial, e de certa forma, é a versão intelectual de transformar o Nick Fury em um negro no filme dos Vingadores ou o Heimdall em Thor. Por isso a presença de um alemão como o Dr. Schultz na história, para criar esta ponte. Reduzir a reverência à certos períodos da história por serem polêmicos e incorporar figuras que se rebelam contra tal terror é uma excelente oportunidade, e da mesma forma que Bastardos Inglórios contava com judeus caçadores de nazistas, este filme traz um escravo em busca de vingança. Resgatar arquétipos heroicos antes reservados unicamente para brancos e incorporar outras descendências pode criar novas histórias e personagens interessantes.

Siegfried, para quem não conhece…

A escravidão no filme ainda é tratada como um acontecimento horrível da história e não poupa sangue para mostrar o sofrimento dos escravos, porém, a ousadia de Tarantino em criar um herói negro no meio desta época sombria, só torna Django um herói mais dinâmico e interessante e com uma presença única, alguém que confronta as dificuldades que sua própria raça traz e o força a tomar decisões complexas frente as adversidades.

Outra sacada, inteligente do filme foi a desconstrução do conceito de violência na cultura americana. Neste momento, novamente faz sentido o personagem coadjuvante ser um europeu, diversos acontecimentos do filme, só podem ser interpretados através de uma perspectiva de um externo (uau! antropologia 101 servindo para alguma coisa…). Em uma cena particular, Dr. Schultz contrasta uma bela música de Beethoven tocada na harpa com uma cena de um escravo sendo torturado, mostrando a total indiferença dos fazendeiros em relação à violência. Um retrato interessante sobre os EUA e sua relação bizarra com morte e armas.

E de resto? Cenas de ação fantásticas, uma trilha sonora animal (Ennio Morricone, James Brown e Tupac na mesma música? Caralho!) e até uma tirada de sarro às custas d’O Nascimento de uma Nação, afinal, é um filme do Tarantino e mesmo se passando no século 19, não quer dizer que não deve haver pelo menos uma menção à Cultura Pop né? As atuações de Jamie Foxx, Christopher Waltz e Leonardo DiCaprio são um show a parte também.

Altamente recomendado! Ah, e não se esqueçam… “O ‘D’ é mudo”…

Até a próxima e fiquem atentos para as próximas Nerd Reviews de filmes concorrendo ao Oscar de Melhor Filme! Para facilitar sua vida, que tal nos curtir no Facebook?

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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