Free Solo | Documentário vencedor do Oscar estreia no NatGeo

Free Solo, vencedor do Oscar e do Bafta, estreia no NatGeo

Segurem o ar!

A jornada de Alex Honnold montanha acima vai além de estabelecer um recorde e faz pensar sobre o medo, objetivos e o que significa estar vivo

No início do longa Star Trek V: A Última Fronteira, o Capitão Kirk (William Shatner) aparece escalando o El Capitan, uma impressionante formação rochosa com 900 metros de altura localizada no Parque Yosemite. Em um momento do documentário Free Solo, um dos entrevistados chama o escalador Alex Honnold de Sr. Spock, personagem de Leonard Nimoy também em Star Trek. É melhor acostumar-se, a sensação de testemunhar algo fora deste mundo estará presente o tempo todo.

Assinado por Elizabeth Chai Vasarhelyi e Jimmy Chin e ganhador do Oscar e do BAFTA de melhor documentário, Free Solo documenta a preparação e tentativa de Alex Honnold de escalar o El Capitan sem o auxilio e proteção de cordas ou outros equipamentos. Considerado um dos grandes escaladores de todos os tempos, Honnold tem mais de mil escaladas solo em seu currículo, um feito impressionante num esporte onde o erro é cem por cento fatal.

Por quê? Por que Alex insiste numa atividade que certamente será responsável por colocar um fim à sua vida, como mostra a lista de escaladores falecidos incluída no documentário, jovens rostos sorridentes que nos encaram com uma outra pergunta: é melhor ser assim como você, que acha loucura escalar montanhas, que dirá escalá-las sem equipamento, e segue vivendo, ou é a minha vida que fez sentido em seu pouco tempo de duração? Alex deixa claro que não deseja a morte, e esse é um dos feitos da produção de Chin e Vasarhelyi, mostrar o quanto de planejamento e estratégia estão incluídos no free solo, onde cada movimento está descrito em detalhes minuciosos no caderno de anotações de Honnold. El Capitan é um sonho de dez anos que tomou três anos de preparo.

Saber que tudo ali foi planejado, no entanto, não impede que o documentário cause vertigens, palpitações e momentos de pânico, ou simpatia por um dos cinegrafistas, que se recusa a olhar por medo de gravar a queda que colocará fim a tudo. Amigos, familiares, namorada e os próprios cineastas se revezam em sua, nossa, angústia pela tarefa que Honnold se impôs. Queremos ver, mas não queremos ver. Se alguém achava que documentário era uma coisa chata, tem Free Solo para rever seus conceitos tanto pela técnica como pela realização.

Divertido, tranquilo e acima de tudo, focado, Alex Honnold se torna rapidamente uma vida com a qual nos importamos, seu feito, seus tantos feitos anteriores invejáveis por nós que tomamos tanto cuidado ao subir uma escada para limpar a prateleira, secundário diante do assombro que causa seu desejo de ser o melhor, não importa o custo.  “Qualquer um pode morrer a qualquer dia”, esclarece. “O Free solo só torna a morte mais próxima e presente”, o que talvez explique a atração de subir contando apenas com a própria concentração, força física e inteligência. Onde a morte olha tão de perto, a vida também está por ali.

Free Solo estreia sábado, 9/3, 22h no National Geographic

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