Vamos falar sobre Glass, o novo filme de M. Night Shyamalan

Finalmente M. Night Shyamalan vai concluir sua melhor saga com o filme Glass Vamos lá jovens e veteranos, hora de contar uma rápida historinha antes de entramos nos detalhes...
Glass

Finalmente M. Night Shyamalan vai concluir
sua melhor saga com o filme Glass

Vamos lá jovens e veteranos, hora de contar uma rápida historinha antes de entramos nos detalhes de Glass. Em 1999, um diretor razoavelmente desconhecido e com nome complicado lançou nos cinemas um filme chamado O Sexto Sentido. Rapidamente, a história de um garotinho assombrado pela capacidade de enxergar os espíritos dos mortos, e seu terapeuta que parece o moço do Duro de Matar, se tornou um dos maiores fenômenos do cinema com uma reviravolta que até hoje é usada, parodiada e homenageada.

É inegável o impacto deste longa metragem para muitas pessoas, mas foi em 2000, com o filme Corpo Fechado que M. Night Shyamalan realmente mostrou seu potencial. O filme conta a história de David Dunn (Bruce Willis), um pacato segurança que descobre ser um super humano e sua jornada rumo ao heroísmo. Sua vida começa a ganhar significado quando conhece Elijah Price (Samuel L. Jackson), um ávido colecionador de quadrinhos que sofre de uma condição que torna seus ossos frágeis como vidro. Ao conhecer Dunn, sua vida ganha propósito, ele assume a alcunha de Mr. Glass (Senhor Vidro) e se autodeclara o vilão da “história” do herói.

Muito antes de Batman Begins, Shyamalan havia criado uma história de super heróis madura, inteligente e única. É o único longa do diretor que atingiu status cult (especialmente por não ter sido um enorme sucesso de bilheteria como seu antecessor) e sempre houve cobrança dos fãs para uma continuação. Até mesmo quem vos escreve.

Entra Fragmentado

No começo do ano, o diretor lançou seu novo longa Fragmentado. Foi um sucesso absoluto de crítica e audiência. E o que começou como um filme de terror sobre personalidades múltiplas teve uma reviravolta sensacional: a saga de Kevin Wendell Crumb (James McAvoy) se passa no mesmo universo de Corpo Fechado.

A cena pós-créditos (um artifício praticamente obrigatório no gênero) revela que a imprensa batizou Kevin de A Horda. A cena final mostra pessoas em um restaurante assistindo o surgimento do novo criminoso e relembrando um terrorista insano que foi capturado 15 anos atrás. David Dunn relembra que o nome dele era Mr. Glass….

E agora, Glass

Na última terça feira, Shyamalan anunciou no Twitter seu novo projeto (algo que ele já havia brincado na entrevista em vídeo acima).

Para quem não está muito acostumado com a língua de Trump, vamos lá: Shyamalan anunciou que seu novo filme será uma continuação de Corpo Fechado e Fragmentado. Teremos no longa Bruce Willis de volta no papel de Dunn, Samuel L. Jackson retorna como Elijah Price / Mr. Glass, James McAvoy novamente será Kevin / Horda e Anya Taylor Joy fará o papel de Casey Cooke pela segunda vez. Além disso, o longa já tem data de estreia: 18 de Janeiro de 2019.

Por que Glass vai ser importante

Universos compartilhados no cinema não são novidade. A Marvel pretende lançar filmes até a vida no planeta se extinguir, a DC se esforça para tirar seu projeto do papel sem que milhões de fanboys gritem em agonia a cada trailer; até mesmo os famosos monstros da Universal Pictures estão preparados para se juntar a la Vingadores em um futuro próximo. Algo que também podemos esperar de monstros gigantes como Godzilla e Kong. São apostas gigantescas de praticamente todos os grandes estúdios (até mesmo a saga mais bem sucedida sobre pedaços de carne falantes e carros rápidos já anunciou seu spin-off).

Corpo Fechado foi um filme de super herói antes da onda de filmes de super heróis. Não existia a receita de bolo, não existia a história de origem desnecessária, o terceiro ato com a batalha exagerada obrigatória, o final comportado porque cinco continuações já haviam sido anunciadas, ou as enfadonhas discussões especulativas sobre se o filme vai fracassar ou não baseado em uma imagem postada no Instagram no perfil do assistente de maquiagem do filme. Corpo Fechado é um filme que arrisca analisar de forma adulta e realista a mitologia por trás do super-humano moderno, um verdadeiro caso de “e se o Superman fosse real?“.

Não só isso, mas M. Night também mostrou um conhecimento real sobre a estrutura das histórias em quadrinhos, construindo um universo que respeitava o relacionamento entre antagonista e protagonista, a jornada emocional do herói ao descobrir ter poderes e até mesmo uma validação psicológica para a fraqueza de Dunn (sua “kriptonita” é a água). Com Fragmentado, ele usou a trama de um filme de terror para contar a origem de um super vilão, algo nunca visto antes (pelo menos sem o uso de Minions).

O Confronto Final

Em Corpo Fechado, a mãe de Elijah menciona a distinção entre os dois tipos de vilões nos quadrinhos. O primeiro é o “soldado”, o tipo de bandido cujas habilidades desafiam o herói de forma física (pense no Abominável do Incrível Hulk); o segundo é o pensador, aquele que sabe que na troca de tabefes não é páreo, mas usa seu intelecto para enfrentar o protagonista (tipo Lex Luthor).

Temos David Dunn, o herói de bom coração que usa seus poderes para fazer o bem. Temos Kevin e sua “horda” de personalidades diferentes com habilidades diversas, entre elas a aterradora “Fera” que, além de canibal, é praticamente indestrutível, super forte e capaz de escalar paredes. É o típico caso do objeto indestrutível em rota de colisão com o objeto imovível. Sabemos que não será apenas um antagonista preguiçoso (*aham* Ronan o Acusador, Monge de Ferro, Alexander Pierce, Malekith, Kaecilius, entre outros) porque passamos um filme inteiro acompanhando sua origem, seus anseios e suas obsessões. E nos bastidores, o intelecto perturbado de Elijah Price, o Mr. Glass, manipulando herói e vilão rumo à destruição.

É claro que acabei de descrever o enredo de Capitão América: Guerra Civil e Batman vs Superman: A Origem da Justiça. Ou seja, porque Glass importa? Porque M. Night Shyamalan mostrou uma capacidade ímpar de construir histórias em seu “Shyamalanverso” que fogem do esperado. O que falei no parágrafo anterior é mera especulação desenvolvida por um olhar viciado e acostumado a ver cinco a seis filmes de super herói por ano. Não esperava que um filme de terror fosse se tornar um longa de super vilão e até hoje o final simples e minimalista de Corpo Fechado causa calafrios quando assisto. Glass pode ser o filme que o gênero de super heróis desesperadamente precisa, com uma dose de maturidade que fortemente contrasta com a infantilidade auto-imposta na Marvel e que mostre à DC Comics que ser “adulto” não é usar cinza em tudo e transformar todos os heróis em homicidas mal humorados.

E ei, pelo menos podemos contar que não teremos de aguentar 2 horas de “árvores que matam pessoas”.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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