Gotham – Temporada 01 – Ep. 17 – Red Hood

Gotham usa um símbolo clássico dos quadrinhos para explorar as relações da cidade. Talvez um dos maiores problemas de Gotham é que raramente temos a oportunidade de explorar a...

Gotham usa um símbolo clássico dos quadrinhos para explorar as relações da cidade.

Talvez um dos maiores problemas de Gotham é que raramente temos a oportunidade de explorar a cidade e seus habitantes. Como já é de se esperar, os produtores reforçam a presença da cidade por meio de takes aéreos que mostram o vapor dos becos e gárgulas no topo de seus edifícios gigantescos. Sabemos que a cidade é contaminada por corrupção e crime, mas raramente oferecem uma oportunidade de analisar a causa e o impacto deste miasma social.

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Eis que entra a gangue do capuz vermelho. Um grupo de assaltantes de banco que um dos membros decide usar um capuz e fazer performances caricatas durante um assalto e jogar dinheiro para a população. O que originalmente seria usado para despistar a polícia, com o tumulto das pessoas em busca de umas verdinhas a mais, vira um símbolo de rebeldia contra um sistema opressor que não se importa com os cidadãos da cidade. Naturalmente, uma população desiludida já não é muito disposta a colaborar com a autoridade, ainda mais contra criminosos que de certa forma estão “ajudando” a população.

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O Capuz Vermelho como símbolo (uma temática recorrente na mitologia do Batman) é mais eficiente do que qualquer indivíduo, isso é reforçado pela série de usuários da máscara que encontram finais trágicos antes da operação ser desmantelada por Gordon e Bullock. Considerando que a série está confortavelmente se inserindo no formato de crime procedural, é importante destacar que a complexidade da temática e das questões sociais é abordada com uma sutileza e uma sofisticação raramente vista em Gotham.

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A outra trama que fez milagres para a estagnada jornada de Bruce Wayne é a chegada de Reginald Payne, um antigo colega de exército de Alfred em seus tempos de militar. O ex-soldado, hoje um morador de rua, se encontra em dificuldades e busca a ajuda do amigo. Bruce, sempre curioso e de bom coração, oferece seu lar para o estranho. Claramente, Payne é um homem assombrado pelo seu passado e não concorda com a postura que Alfred assumiu como mordomo para um filhinho de papai mimado. Pela primeira vez, temos a oportunidade de ouvir a motivação por trás do pacato mordomo e seu passado é explorado de forma sutil e pouco cartunesca (de novo, praticamente um milagre para Gotham). Claro que ambas as tramas estão amarradas pelo tema da corrupção, e Reginald, como tudo em Gotham, também tem envolvimentos questionáveis com consequências mortais.

Ainda falta muito para a série se tornar de fato envolvente e ser digna do material que a inspirou originalmente, mas Red Hood indica que de fato existe potencial para esta melhoria.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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