Jogador N°1 como filme é melhor que o livro, mas isso não é exatamente um desafio

O senso de aventura de Steven Spielberg ajuda, mas não resolve, os problemas de estrutura de Jogador N°1 ***Antes da crítica*** Opa. Tudo bem? Doktor Bruce aqui. Antes de...
Jogador N°1 - Jogador Número 1

O senso de aventura de Steven Spielberg ajuda, mas não resolve,
os problemas de estrutura de Jogador N°1

***Antes da crítica***

Opa. Tudo bem? Doktor Bruce aqui. Antes de começar a crítica de Jogador N°1, decidi entrar rapidinho em modo primeira pessoa para esclarecer algumas coisas. Primeiramente, eu considero este livro o equivalente literário de uma doença venérea. Segundo, eu considero o autor deste livro a pior coisa que aconteceu à cultura geek desde que a palavra “spoiler” entrou para o léxico popular das pessoas. Caso você se interesse em ler o que basicamente se resume em um texto enorme onde eu só xingo o livro, clique aqui.

Jogador N°1 ou Jogador Número 1, O Filme

Baseado no “livro” “best-seller” do “autor” “geek” Ernest Cline, o filme Jogador N°1 conta a história de Wade Watts (Tye Sheridan), um jogador do game OASIS. No ano de 2045, boa parte da humanidade vive em um futuro distópico onde passam o dia inteiro interagindo no game. A plataforma do OASIS é tão massiva que grandes partes da economia mundial se encontram dentro do sistema. Wade, sob a identidade gamer de Parzival, busca o misterioso Easter Egg. Um item escondido no jogo pelo criador James Halliday (Mark Rylance), que caso alguém encontre, não só tornará a pessoa a dona do jogo inteiro como também herdeiro de uma fortuna de 500 bilhões de dólares.

Wade, se junta a Samantha Cook/Art3mis (Olivia Cooke), Helen/Aech (Lena Waithe) e outros para chegar ao prêmio antes de Nolan Sorrento (Ben Mendelsohn), CEO da IOI, a segunda maior companhia do mundo que pretende dominar o OASIS.

Referências, referências, e advinha, referências

Somente um diretor tão lendário quanto Steven Spielberg conseguiria pegar Jogador Nº1 e adaptar em uma aventura semi-coerente e relativamente divertida. Boa parte das referências “geek”, que Cline insere no livro para jogar água no feijão, são deixados de lado e o diretor opta por celebrar a carreira de diretores que marcaram épocas e estrearam no mercado na mesma geração de Spielberg. Isto não quer dizer que não existam inúmeras referências espalhadas pelo longa (deixamos aqui uma lista do que conseguimos identificar), mas com exceção dos momentos onde as referências são cruciais para a resolução dos desafios do easter egg, elas só servem de perfumaria ou como um grande “Onde Está Wally?” para quem pretende rever o longa várias vezes.

Os momentos no mundo real, Spielberg esbanja todas as suas técnicas tradicionais de direção e até mesmo membros mais leigos da audiência consegue identificar o diretor por trás de Jurassic Park, Indiana Jones e ET voltando a boa forma. Quando a trama precisa entrar no OASIS, aí a coisa se complica. São poucas as vezes onde o diretor experimentou com tamanho volume de computação gráfica na tela e, ao abandonar cenários construídos e efeitos visuais práticos, parece que ele se perde um pouco no enquadramento e deixa as cenas um tanto quanto confusas.

Corporativismo da melhor forma

Apesar de ter todos os elementos de uma aventura clássica de Spielberg, Jogador Nº1 (ou Jogador Número 1) é uma experiência fria. O calculismo por trás da inserção das inúmeras renderizações de computação gráfica de propriedades intelectuais queridas vira um apelo demagógico para os autodenominados geeks se sentirem homenageados. E f*da-se a trama e os problemas por trás da mensagem.

Porque sejamos sinceros, Jogador Número 1 tem uma premissa extremamente problemática. É a história de um mundo onde todos deixaram de lado qualquer esperança, para viver na miséria imersos em uma realidade virtual, sendo explorados por um conglomerado digital que armazena indiscriminadamente todas as informações pessoais e dados financeiros do usuário. E o criador deste gigantesco mecanismo é cultuado com um fervor que nem mesmo o filho de Steve Jobs com Maomé conquistaria. E o protagonista desta história inteira é alguém que aparentemente devemos aceitar como o herói, porque ao herdar uma fortuna maior que algumas super nações do planeta e influência sob toda cultura global, não é um problema porque ele aparenta ser um cara bacana e tem amigos.

Zuckerberg agradece.

O filme Jogador N°1 estreia dia 29 de março no Brasil.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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