CRÍTICA | Lion – Uma Jornada para Casa | Uma lição sobre ser mãe

Dev Patel te fará chorar de alegria em Lion – Uma Jornada para Casa Lion – Uma Jornada para Casa chega quietinho em 2017, para se consagrar como uma...

Dev Patel te fará chorar de alegria em
Lion – Uma Jornada para Casa

Lion - Uma Jornada para CasaLion – Uma Jornada para Casa chega quietinho em 2017, para se consagrar como uma dos melhores dramas do ano. Baseado em uma história real, conhecemos Saroo (Sunny Pawar), um menino de cinco anos que vive em uma Índia paupérrima. Sua mãe, analfabeta, faz de tudo para cuidar bem de seus filhos. Mas em um dia de aventuras pelos trilhos do trem, Saroo se perde de seu irmão mais velho Guddu (Abhishek Bharate) e vai parar em um orfanato a 1600km de onde estava.

Até ser resgatado, Saroo tenta sobreviver nas violentas ruas de Calcutá. Dormindo na rua e comendo lixo, ele é levado – com segundas intenções – por uma jovem e posteriormente retorna para as ruas. O menino é esperto e, ao longo de sua jornada, tenta relembrar o caminho de volta para casa. E não consegue.

Um tempo depois, um orfanato o abriga. Ele recebe lições básicas de comportamento e aprende algumas palavras em inglês. Em seguida, é levado para a Austrália, onde é adotado pelo amável casal Sue (Nicole Kidman) e John Brierley (David Wenham).

Até aqui, tudo bem. Quando Dev Patel entra em cena, interpretando um Saroo já adulto vinte anos após sua adoção, a queda é livre para emoções nunca sentidas e surgem lágrimas incontroláveis sobre uma história humana que você nunca viu igual. As definições de família são redefinidas a partir de agora.

Saroo é mais australiano do que indiano. Algumas lembranças de sua origem estão guardadas na mente de um jovem que fora atordoado pela súbita ausência de seu irmão e profundo sentimento de abandono. A mãe, aquela moça marcada pelo sol e trabalho braçal em uma vida sem estudos e oportunidades, é relembrada em flashbacks de momentos íntimos da relação mãe e filho. Saroo não é ingrato por sua nova família, mas ele precisa acalmar seu coração e reencontrar sua verdadeira mãe e irmão.

Antes de iniciar sua jornada para casa, Saroo se apaixona por Lucy (Rooney Mara), com quem consegue se abrir sobre seu passado e origem. A jovem e alguns amigos o incentivam a tentar lembrar o nome do vilarejo que morava, detalhes da estação onde acordou sozinho e outros elementos que possam auxilia-lo na busca.

A tecnologia de 2008, mais ou menos, entra como um grande auxílio. O Google Earth é seu mecanismo de busca para tentar localizar o tal local, cujo nome, não é conhecido por ninguém. Bem, o fato do vilarejo ser desconhecido é um dos pontos mais importantes desta trama: Lion – Uma Jornada para Casa é um filme roteirizado do ponto de vista de uma criança.

Quando falamos em Índia, a estrutura sociocultural do país é rapidamente imaginada. Mas será que uma criança de cinco anos tem discernimento sobre onde reside e total domínio de seu idioma? A pobreza, sujeira e más condições de onde mora com sua mãe ainda não são pontos julgados pela mente de Saroo. Ele é uma criança que ainda não sabe o que é certo ou errado, gosta de correr por aí, carregar coisas para o seu irmão, pegar frutas em árvores e brincar no rio. Quando nos deparamos com a Índia da mente de Saroo já velho, novos desafios de memórias surgem. E esses desafios é que podem impedir o jovem de reencontrar sua família. Uma família que o marcara por tamanho amor e carinho em que era zelado.

Sua mãe é a chave principal nessa história. O amor dela pelo pequeno Saroo desabrocham íntimos sentimentos e lembranças que podem ajudá-lo a voltar para ela. E é aqui, leitor, que a casa cai mais uma vez. Quando Saroo consegue localizar o vilarejo, o choro é livre, leve, solto e repleto de alegria.

Sue e John adotaram outra criança vinda da Índia. Mantosh Brierley (Divian Ladwa) é um rapaz problemático que requer atenção especial. Saroo ganhou este irmão após um ano da adoção de seus pais e, ao longo dos anos, sempre ajudou sua nova mãe a lidar com ele. Sue tem uma conexão verdadeira de mãe com Saroo, que agora resiste em contar a ela que deseja rever sua mãe biológica com medo de a magoar. O que tiramos dessa parte do filme são mais lágrimas e uma lição indescritível sobre o verdadeiro sentido de ser mãe.

Caso você não conheça a história de Saroo, não procure na internet. Deixe que este belo filme te quebre em pedacinhos para depois procurar mais sobre o fato. O filme dirigido por Garth Davis e roteirizado por Luke Davies é uma obra prima que merece ser vista e revista.

É impressionante ver como que uma trama tão simples, pode ser tão poderosa. Um primeiro ato inteiro sob o ponto de vista de uma criança. Um segundo ato sobre o medo dessa mesma criança ao ter que enfrentar um mundo fora do vilarejo e longe dos cuidados de sua família. E por fim, um terceiro ato arrebatador sobre um jovem que tem um incansável sentimento de angustia e um amor imponderável pelos seus novos pais.

Lion – Uma Jornada para Casa ainda é extremamente bem dirigido, tem uma trilha sonora perfeita que embala as cenas mais emocionantes e fecha, já nos créditos, com dados sobre crianças perdidas na Índia e mais uma surpresinha para garantir que você, espectador, permaneça aos prantos.

Humano, sensível e feliz, Lion – Uma Jornada para Casa é um dos mais belos filmes sobre relacionamento mãe e filho que o cinema já poderia ter feito. Um tremendo soco no estômago, inclusive para aqueles que não aceitam ou não concordam com adoção. Conhece aquele ditado? “Mãe é quem cria e não quem bota no mundo?”, esta história é uma prova de que mãe é compaixão pura quando a índole é desprovida de preconceitos.

Distribuído pela Diamond Filmesque está com tudo este ano – o longa estreia dia 16 de fevereiro e concorre em 4 categorias no Globo de Ouro 2017:

  • Melhor Filme de Drama (SIM!)
  • Melhor Ator Coadjuvante (Dev Patel)
  • Melhor Atriz Coadjuvante (Nicole Kidman)
  • Melhor Trilha Sonora

Estaremos na torcida para que Lion ganhe outras indicações em premiações grandes e que o público faça deste filme um super sucesso de bilheteria. Vale a pena.

Küsses,

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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