CRÍTICA | Manchester à Beira-Mar … das lamentações

Casey Affleck honra a apatia de seu sobrenome em Manchester à Beira-Mar Bem-vindo ao filme mais dramático e menos marcante de todos os tempos. Bem-vindos a uma história que...

Casey Affleck honra a apatia de seu sobrenome em
Manchester à Beira-Mar

Manchester à Beira-MarBem-vindo ao filme mais dramático e menos marcante de todos os tempos. Bem-vindos a uma história que empolga tanto quanto a neve quando começa a derreter. Manchester à Beira-Mar é um daqueles filmes experimentais de trama familiar densa que tenta ganhar o público, mas que acaba entediando.

Dirigido e roteirizado por Kenneth Lonergan, conhecemos Lee Chandler (Casey não sei atuar Affleck), um zelador faz-tudo que tem uma vidinha pouco empolgante e atordoada por lembranças trágicas. Após idas e vindas ao hospital, seu irmão Joe Chandler (Kyle Chandler) falece. Lee retorna para Manchester para enterrar o irmão e cuidar da burocracia. Na leitura do testamento, ele descobre que será tutor de Patrick (Lucas Hedges), seu sobrinho, até que ele complete 21 anos.

Incomodado com a decisão do irmão, que nunca havia o consultado sobre tal, Lee fica perdido entre as responsabilidades financeiras e pessoais com o jovem, por mais que cenas do passado apontem para a audiência que tio e sobrinho sempre se deram bem.

Patrick tem 16 anos. Abandonado por uma mãe viciada e agora sem pai, o rapaz demora para ter seus momentos de luto. Aliás, o “luto” é o elemento que assombra os personagens principais dessa trama. A morte de Joe não é a primeira grande perda desta família, como dissemos, Lee tem um passado complicado. Tão complicado que este será o motivo para que ele não assuma a tutela de Patrick, deixando o jovem nas mãos de George (C.J. Wilson), um amigo das antigas que ajuda com a manutenção do barco da família.

Basicamente temos três perguntas a serem respondidas em Manchester à Beira-Mar:

  1. O que aconteceu com Lee antes de ir embora para Boston?
  2. Porque Joe deixou a tutela de Patrick para Lee sem consultá-lo?
  3. E porque as personagens mulheres dessa trama são tão desinteressantes?

A terceira fica por nossa conta, ok?

Esse drama familiar é algo muito difícil de ser engolido. No meio da exibição, nos perguntamos inúmeras vezes se esta trama havia algum tipo de relevância. Para piorar, a trilha sonora que é uma salada mista de músicas clássicas: valsa, réquiem, e aria embalam takes tediosos de uma cidade coberta por neve. O que deveria potencializar o drama do roteiro, deprime o coração de quem assiste.

Ponderemos muito este longa antes desta crítica. O drama familiar é um gênero empolgante. Normalmente saímos com nossos corações em pedaços mas temos algum tipo de simpatia ou identificação com a história/personagem ou a mensagem final é tocante. Comparado a longas como O Quarto de Jack (2016), Histórias Cruzadas (2012), Beleza Americana (2005), Álbum de Família (2014), Amor (2013), As Horas (2002) e Boyhood (2015), Manchester à Beira-Mar é um desastre.

O longa flerta com a violência vinda de sentimentos reprimidos, com a compaixão vinda de pessoas que não são da família central e com arrependimentos de quem se distanciou. Exceto Lee e Patrick, todos os demais personagens são apresentados apenas para sustentar alguma decisão do tio em relação ao sobrinho, quase que justificando para o espectador que o protagonista precisa ser perdoado ou compreendido após sua escrota decisão final. Essa imposição do roteiro e privilégio forçado em volta do apático Lee é pedante, tornando o drama pouco tangível e superficial.

Distribuído pela Sony Pictures, o filme estreia dia 19 de janeiro nos cinemas e está concorrendo em cinco categorias no Globo de Ouro 2017:

  • Melhor Filme de Drama (altamente questionável)
  • Melhor Ator em Filme de Drama (Casey Affleck)
  • Melhor Atriz Coadjuvante (Michelle Williams) – que tem nem 10 minutos em tela e está bem ok.
  • Melhor Diretor
  • Melhor Roteiro (ZzzzzzZZZ)

Ah, se você quer uma emocionante história sobre luto, assista Sete Minutos Depois da Meia-Noite que está em exibição nos cinemas. É bem melhor.

Küsses,

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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