A série ‘Os Defensores’ não tem muito que merece ser defendido

Qual é o objetivo de Os Defensores? Binge-watching. É o fenômeno que atualmente faz você ir dormir às 4 da manhã em uma terça-feira. É o ato de fazer...

Qual é o objetivo de Os Defensores?

Binge-watching. É o fenômeno que atualmente faz você ir dormir às 4 da manhã em uma terça-feira. É o ato de fazer uma maratona para completar uma temporada ou série em uma paulada só. É o que tornou a Netflix o que ela é hoje, liberando temporadas inteiras de uma vez só. É uma forma de oferecer ao telespectador mais do o conteúdo que ele busca e, convenientemente, deixar de lado a qualidade individual de cada episódio. E é assim que por oito horas torturosas Os Defensores mama na teta da boa vontade conquistada pela Marvel.

Os Defensores

A série começa após a conclusão de Punho de Ferro e a segunda temporada de Demolidor. Luke Cage acabou de sair da prisão e Jessica Jones parece ter desistido de tudo após a derrota de Kilgrave. O Tentáculo, aquela organização criminosa de ninjas imortais que cada série inventa mais ladainha em cima, construiu um prédio em cima do buraco misterioso, ressuscita Elektra transformando-a no tal Céu Negro e precisam do poder do Punho de Ferro para completar um objetivo secreto. Desta vez a organização é liderada por Alexandra (Sigourney Weaver), no papel de “ator/atriz aclamado liderando culto de ninjas fanáticos que pretendem destruir cidade onde mora um herói que usa máscara e escuridão para enfrentar criminosos“.

Os Heróis Mais Sonolentos da Terra

Após um primeiro episódio que introduz onde cada personagem se encontra, com o mesmo entusiasmo de um noticiário matinal de rádio AM, a série leva mais ou menos metade do tempo para colocar os quatro juntos para enfrentar a ameaça principal. A dinâmica se repete mais ou menos assim durante a temporada inteira:

1) Luke Cage reluta em aceitar o que está acontecendo, constantemente falando que não é possível que neste mundo de deuses nórdicos, super soldados e homens à prova de bala, um grupo de ninjas mágicos podem fazer o mal.

2) Jessica Jones é agressiva em relação a tudo, ela tira sarro de todo mundo e fala que ela não quer participar de nada. Até ela mudar de ideia e de repente querer participar de tudo.

3) Matt não quer mais ser o Demolidor, com exceção das vezes que ele quer ser o Demolidor.

4) Danny Rand existe e ele não vai deixar seu Q.I. de dois dígitos impeça que ele seja um herói.

Após uma maratona de exposições monótonas e poucos motivos convincentes, os heróis terminam juntos em batalha contra o Tentáculo.

Tentácu-oque?

O Tentáculo surgiu na primeira temporada do Demolidor como uma das facções criminosas operando sob o comando de Wilson Fisk. Na segunda temporada foi revelado o que estavam tramando para controlar uma parte grande da Cozinha do Inferno e cavaram um buraco enorme. Também mostraram que o tal Céu Negro na verdade era a antagonista com nome de sabor promocional do Doritos: Elektra Natchios.

Em Punho de Ferro, descobrimos que a sociedade secreta milenar de ninjas funciona como um centro comunitário para adolescentes abandonados, tipo uma Chiquititas com mais acesso à armas brancas. Em Os Defensores (ou possivelmente Punho de Ferro, confesso que penei para registrar a informação depois de duas séries seguidas) aprendemos que O Tentáculo é um grupo de ex-habitantes de K’un-Lun que usam a essência de Shou-Lao para preservar sua imortalidade.

No final das contas, a série simplesmente esquece de dar alguma coisa para nos importarmos com os vilões. Sejam os momentos onde eles discutem entre si ou discutem com os heróis, apenas serve para chamar capangas para mais uma cena de ação.

E no fim…

No final, aquela pequena palavra com o fundo vermelho que aparece no começo dos episódios gradualmente traz cada vez menos a promessa de um bom divertimento. Começou com Punho de Ferro que teve uma temporada fraquíssima e sem foco. Os Defensores deveria ser a versão mais urbana e madura de Os Vingadores, mas termina com uma narrativa insossa, personagens fracos e uma premissa completamente sem graça. Fora algumas cenas de ação bacanas, Os Defensores não traz nada de novo.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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