Stan lee, criador dos personagens da Marvel, falece aos 95 anos

A Marvel perde um de seus maiores ícones. Stan Lee Falece aos 95 anos

Que dia triste para os fãs da Marvel...

Que despedida dolorosa. Stan Lee falece aos 95 anos

É com pesar que informamos que Stan Lee, uma das figuras mais icônicas e essenciais do mercado de histórias em quadrinhos faleceu aos 95 anos. O roteirista, editor e figurão público responsável pela criação de personagens como o Homem-Aranha, X-Men, Homem de Ferro, Thor, Pantera Negra e Quarteto Fantástico não está mais entre nós.

Dono de uma personalidade excêntrica, Lee começou sua carreira no mercado de quadrinhos em 1939, onde sua presença e capacidade de autopromoção catapultou a Marvel, de uma pequena editora de HQs para uma das maiores e mais influentes empresas de quadrinhos e eventual império multimídia. Ao lado de criadores como Jack Kirby e Steve Ditko, Lee criou uma verdadeira legião de personagens que conquistaram inúmeros leitores por mostrarem seu lado humano ao lado de seus poderes fantásticos. Sem Lee, não teríamos personagens que precisam balancear seu lado sombrio com seus poderes incríveis. Antes dele, os heróis eram certinhos e bem ajustados. Foi ele que transformou um adolescente inseguro com poderes de aracnídeos em um dos maiores e mais identificáveis heróis de todos, ao torna-lo movido por culpa e pela perda.

Foi no Quarteto Fantástico que ele trouxe drama familiar ao lado de ficção científica. Foi em Homem de Ferro onde ele encontrou a humanidade por trás de um distribuidor de armas.

Tudo isso era sustentado por uma capacidade de publicidade nata no roteirista. Seu lendário “Excelsior!”, suas cartas ao público e até a forma como ele descrevia de forma sensacionalista e exagerada todos os contribuintes de cada publicação se tornaram lendas no mercado de quadrinhos.

Desde o começo da Marvel como um império de multimídia que eventualmente seria adquirido pela Disney, se tornou uma tradição colocar Stan Lee em participações especiais em todos os filmes, começando com o Homem-Aranha de Sam Raimi. As participações de Lee começaram muito antes disso, com participações nos longas do Hulk de Lou Ferrigno e em outros filmes com temática geek, como Barrados no Shopping. As participações eram tão aguardadas nos filmes da Marvel que até a DC entrou na brincadeira com Jovens Titãs vão ao Cinema.

Disputas e polêmicas

Como era praxe no mercado, Stan Lee e demais criadores não detinham direitos sobre suas criações. Em 2002, processou a companhia que ele ajudou a colocar no mapa por royalties devidos pelo primeiro filme do Homem-Aranha. O processo foi resolvido três anos depois por 10 milhões de dólares.

Seu relacionamento com seus co-criadores sempre foi tempestuoso. Seu processo de criação envolvia elaborar uma visão geral da história junto ao desenhista. Após feita a arte, Lee entraria por cima para inserir os diálogos. Este processo ficou conhecido como o Método Marvel, e se tornou fonte de inúmeras disputas sobre atribuição de criação. Desta forma, criadores lendários como Jack Kirby e Steve Ditko se tornaram amargos inimigos de seu antigo parceiro, especialmente quando este começou a tentar tira-los do papel de co-criador das diversas propriedades da Marvel.

Mesmo assim, foi a visão humana que Lee tinha sobre os personagens que não só os transformaram em sucesso, como ajudou a enfrentar a censura imposta pela governo na indústria de quadrinhos. Nos anos 70, quadrinhos para serem publicados e conquistarem ampla distribuição tinham que seguir um guia rígido de restrições impostas pela Comics Code Authority (CCA). Foi uma história do Homem-Aranha envolvendo vício de drogas – publicada sem o selo da CCA – que virou sucesso absoluto de audiência e eventualmente forçou o órgão governamental a repensar e criar um guia menos linha dura.

Sua origem

Nascido Stanley Martin Lieber, em 28 de Dezembro de 1922, filho de um imigrante romeno, ele teve uma juventude humilde. Em 1939, Lee começou um estágio na Timely Comics, a antecessora da Marvel, onde alguns anos depois, escreveria uma história tapa-buraco para Capitão America #3. Aos 19 anos, se tornaria editor.

Pouco tempo depois, Lee se alistou no exército, onde escreveu manuais e filmes de treinamento. Ele permaneceu no exército até o final da guerra, onde eventualmente retornaria à Timely.

Na época, a DC Comics estava chamando atenção ao flertar com a ideia de colocar todos os seus heróis em um universo compartilhado. Os primeiros experimentos surgiram devido a uma limitação na disponibilidade de papel barato para impressão devido aos racionamentos da Segunda Guerra Mundial. Isto juntaria o Batman e o Superman em um único título. Anos depois, a editora lançaria o título Liga da Justiça.

Isto inspirou Stan Lee e Jack Kirby a criar o Quarteto Fantástico, uma história de um time de super heróis, mas desta vez, eles seria além de seres com super poderes, uma família com problemas interpessoais. E assim, surgiria a Marvel Comics e um gigantesco universo de personagens, todos vivendo sob um mesmo universo surgiria – criando um padrão editorial seguido até hoje pela maioria das editoras de HQ.

Em 1972, Stan Lee largou a editoria da Marvel para trabalhar na área de divulgação e publicidade. Ele se mudou para Hollywood em 1980 para abrir um estúdio de animação e estabelecer relacionamentos com estúdios e produtores. Neste período surgem projetos como o desenho animado do Homem-Aranha (e sua icônica música tema), uma série live-action do Hulk com Bill Bixby no papel de Dr. David Banner (na época, “Bruce” era considerado um nome gay) e Lou Ferrigno como o gigante esmeralda. A série foi um sucesso absoluto de audiência e rendeu até alguns filmes feitos para TV onde outros personagens da Casa das Ideias renderam participações especiais (além do próprio Lee, é claro).

Em 1998, Stan Lee lançou uma companhia de conteúdo para internet chamada Stan Lee Media. Investigações descobriram manipulação acionária por parte de alguns sócios e a empresa faliu rapidamente.

Recentemente, Lee teve alguns problemas de saúde, inclusive pneumonia e problemas de visão. Sua esposa, Joan faleceu em 2017. Eles foram casados por 69 anos. Ele tem uma filha chamada J.C. e um irmão mais novo, Larry Lieber, que escreve e desenha na Marvel.

No filme Homem-Aranha 3, Stan Lee faz uma participação especial e diz a seguinte fala: “Sabe… eu acho que uma pessoa pode sim fazer a diferença… ‘nuff said’ (frase famosa do dele no final de suas cartas).” E acho que não existe outra forma de expressar o que esta figura excêntrica, polêmica e as vezes um tanto quanto exagerada não fez para inúmeras gerações e incontáveis fãs que cresceram apaixonados por todo um universo que ele ajudou a criar.

O mundo acaba de ficar um tanto quanto mais sombrio, afinal, ao contrário do que vemos nas páginas de incontáveis sagas de quadrinhos, na vida real, nossos super heróis não voltam a vida quando os vilões vencem.

Excelsior!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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