Prometheus

Esse final de semana finalmente consegui separar um espaço na minha apertadíssima agenda (9:00 – 13:00 – Cynar e chorar no escuro) para assistir Prometheus, o novo filme de Ridley...

Esse final de semana finalmente consegui separar um espaço na minha apertadíssima agenda (9:00 – 13:00 – Cynar e chorar no escuro) para assistir Prometheus, o novo filme de Ridley Scott.  Para quem não sabe, Ridley Scott ficou famoso por dirigir os filmes Alien, Blade Runner e Gladiador; pode parecer informação jogada, mas vá por mim, esta se tornará relevante em breve.

De maneira confusa, o diretor e os produtores do filme (incluindo Damon Lindelof – veterano criador de Lost), alternavam entre dizer que o filme seria uma espécie de prequela de Alien – O Oitavo Passageiro ou uma obra inteiramente nova visando explorar a origem da raça humana. No final das contas terminaram com um filme que aborda os dois.

É inegável que o filme se passa no mesmo universo de Alien e faz uso da mesma “mitologia”. A história começa quando uma dupla de cientistas (Noomi Rapace e Logan Marshall-Green) encontram pinturas em cavernas que apontam para um sistema solar distante, mais especificamente uma lua neste sistema que pode conter a resposta para a origem da raça humana. Passam-se alguns anos e ambos se encontram em uma expedição trilionária  abordo da nave Prometheus em direção ao dito sistema. É notável que o estilo de filmagem de Gladiador influenciou a direção de Ridley Scott, enquanto Alien ficou famoso por seus cenários claustrofóbicos e ambientação escura, Prometheus gosta de calmamente apresentar cenas vislumbrantes e belíssimas, remetendo fortemente às cenas do Coliseu em Gladiador.

E quanto a confusão dita acima? Sim, ela existe. A impressão que eu tive, quando assisti o filme, foi que Ridley Scott estava tentando refazer Alien com a mesma ótica de Solaris, abordando as mesmas temáticas (maternidade, estupro, aborto) de seu próprio filme porém de forma mais adulta e contemplativa, resultando em uma premissa que muitas vezes fica meio confusa. Para entender, vou listar aqui tudo que o filme tenta abordar / explicar:

1- A origem da espécia humana

2- A oposição da fé x ciência

3- A origem dos Aliens

4- A analogia do conceito de maternindade x aborto

5- O hubris na humanidade ao tentar se deparar com Deus

6- Impacto psicológico do estupro em ambos os sexos

“Uau!” Você diz todo empolgado! (E deveria estar mesmo). O filme aborda diversas temáticas que, sob um roteiro competente, faria um filme de ficção científica fantástico, assim como Alien aborda estupro de forma aterradora ou Blade Runner explora o conceito de Deus sob a ótica de um criador (afinal, naquele filme os humanos criaram os replicantes). Infelizmente, por mais que visualmente o filme seja fantástico e é possível notar uma maior maturidade na temática, o filme não consegue decidir se quer ser um filme de terror ou de ficção científica, alternando entre cenas filosóficas e extremamente nojentas e violentas ao melhor estilo de filme de terror japonês.

Parte do que incomoda no filme é o uso de clichês de filme de terror para dar continuidade a narrativa, mais especificamente o clichê do “protagonista idiota”, somos apresentados a uma expedição cientifica que insiste em tomar decisões cretinas, como um biólogo que se depara com uma criatura semelhante a uma cobra que claramente está fazendo uma pose ameaçadora e sua primeira decisão é tentar fazer cafuné na criatura. Outro ponto que acaba gerando confusão é a inconsistência de idéias, muitos tópicos são abordados e abandonados rapidamente perdendo diversas oportunidades de trazer discussões mais interessantes para a obra.

 

Apesar destas escorregadas (afinal, Damon Lindelof adora brincar de Lost em tudo que ele faz), o filme vale pelos elementos visuais e das atuações impecáveis de Charlize Theron como Meredith Vickers, uma executiva cruel da Weyland Corporation (a predecessora da Weyland-Yutani de Alien) e Michael Fassbender como David, um android cuja fachada simpática esconde uma agenda sombria.

 

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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