Ninfomaníaca – Parte 1 – Lars Von Trier

Abram alas para Lars Von Trier e mais uma obra sua orquestrada por Rammstein e Bach. É isso mesmo: a mistura perfeita de duas épocas distintas que resultam em...

Abram alas para Lars Von Trier e mais uma obra sua orquestrada por Rammstein e Bach. É isso mesmo: a mistura perfeita de duas épocas distintas que resultam em algo repleto de analogias, cultura, frieza e, naturalmente, sexo…. Muito sexo.

Vamos lá. Ninfomaníaca já deu o que falar antes mesmo de sua estreia. Ao longo de 8 meses o diretor divulgou 1 teaser por mês referente aos 8 capítulos que constroem a trama de sua nova obra. Dividido em duas partes, o longa, que na versão completa é mais explícito, terá 5 horas de duração com longos diálogos, muitas referências estranhas (em um primeiro momento) e cenas de sexo (quase) explícito.

Joe, interpretada pela musa de Lars – Charlotte Gainsbourg, descobriu o prazer ainda criança, tendo sua virgindade tirada aos 15 anos. O filme começa com a personagem encontrada por Dr. Selvig Seligman (Stellan Skarsgård) na rua, surrada, suja e machucada. Ele a leva para sua casa e, curioso, ela começa a contar a história de sua vida como ninfomaníaca.

 

Joe alterna entre abordar sua vida com um olhar frio e clínico  e em vãs tentativas de fazer Seligman lhe dizer que ela é uma má pessoa. Seligman permanece como uma figura neutra que nem critica e nem elogia o estilo de vida de Joe, mas tira prazer em associar as aventuras sexuais da personagem com informações aparentemente aleatórias sobre música, ciências, matemática e até pescaria.

A orquestra de Lars Von Trier:

De Rammstein a Bach, é isso mesmo. Seligman é o ponto focal da narrativa, fazendo o papel da audiência e diretor da história e sendo responsável por desconstruir e apontar para a protagonista, por meio de analogias perfeitas, de que ela não é “uma menina má” e sim, apenas uma mulher viciada em sexo em busca de seu objetivo: saciar o desejo.

Residente de uma humilde casa, o primeiro capítulo é comparado ao ato de fly fishing, a técnica de pesca onde a linha é arremessada e puxada para simular o movimento de presas na isca, sendo relevante o formato da isca, a linha e a forma como o peixe será fisgado, o que representa a “caça” aos homens feita por Joe.

A matemática entra também como base para comprovar os feitos de Joe, assim como a estrutura das obras de Bach, sendo assim, Ninfomaníaca passa a ser um filme não só sexual, mas de embasamento cultural que exige de seus telespectadores uma mente mais ampla e questionadora do mundo e não de si, sobre como o sexo na vida das pessoas molda nosso jeito de pensar e a entender o mundo.

Não assista esse filme na expectativa de curtir um filme de sexo, isso você pode achar nos “RedTubes” da vida. O ponto aqui é interpretar Joe como uma pessoa viciada que precisa compreender seu comportamento sem ser julgada, o que acaba por lançar o desafio para quem assiste: é possível compreender uma ninfomaníaca? O uso excessivo do corpo em busca de prazer pode ser visto deixando os tabus e o “politicamente correto” de lado? Religião e protocolos sociais não existem mais, por isso é necessário ter uma mente mais aberta. E o mais importante: nada de autoanálises!

Ninfomaníaca é arte, um registro de críticas sociais frias, calculadas  e embasadas em fatos tangíveis.

Estão preparados?

A segunda parte do filme estreia em março no Brasil e trará mais sexo em novos formatos como o sadomasoquismo.

Até a próxima,
Küsses, Lady Freak

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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