Noé

Darren Aronofsky  retorna as telonas com mais um projeto ambicioso, desta vez, humanizar e aumentar  a escala de um dos contos mais conhecidos do Velho Testamento, A Arca de...

Darren Aronofsky  retorna as telonas com mais um projeto ambicioso, desta vez, humanizar e aumentar  a escala de um dos contos mais conhecidos do Velho Testamento, A Arca de Noé. Tomando como base a Apócrifa e Midrashim judaicos, o diretor transformou a saga de Noé (Russel Crowe) e um épico como nada visto antes. Tomando inspiração no Gênesis, o longa conta a história dos herdeiros de Adão e Eva na Terra. Do primeiro casal, surgiram três filhos, Caim, Abel e Set. Caim assassina Abel e vai para o oriente. A história começa com o planeta completamente destruído pelas cidades dos herdeiros de Caim, enquanto a família de Noé são os únicos descendentes de Set e vivem em harmonia com o pouco de natureza que restou no mundo.

Lamech

Noé, perturbado por visões do Criador, decide visitar seu avô, Matusalém (Anthony Hopkins), um ancião com poderes místicos e guerreiro lendário que protegeu os Guardiões (anjos tombados) das forças de Caim. Bom, o resto você já sabe, Noé descobre que o mundo será destruído no dilúvio e precisa construir uma gigantesca arca para proteger sua família e dois de cada animal. Com a ajuda de uma semente de Éden que ergue uma floresta inteira e os Guardiões, gigantes de pedra que foram anjos que tentaram ajudar humanos e como punição foram presos na terra pelo Criador.

Noah

Tudo vai bem na construção até a aparição de Tubalcaim (Ray Winstone), rei dos homens e herdeiro de Caim. Ele ameaça Noé que, caso realmente haja uma enchente, ele quer entrar na Arca junto com seus súditos. Noé enfrenta o rei e sai vitorioso, porém, Cam (Logan Lergman), um dos filhos do profeta se sente tentado à violência que o rei representa. Na chegada do tão esperado dilúvio, começa uma grande batalha épica entre os filhos de Caim e de Set pelo direito de ocupar a arca.

Russell Crowe as Noah

Assim termina uma parte do filme, em típica forma Aronofsky, a narrativa continua e aqui é onde as coisas realmente ficam interessantes, sem oferecer muitos spoilers, a segunda parte do longa, explora a vida dentro da Arca e coloca em questão algumas das atitudes de Noé que cada vez mais, ao seguir o que ele acredita ser a vontade do Criador, se torna mais perigoso para todos a sua volta. O que diferencia Noé dos demais filmes épicos é que ele não termina na grande batalha de sempre, ele continua, e apresenta questões como culpa de sobrevivente, interpretações divinas e o futuro incerto (ou certo) da humanidade. Naameeh (Jennifer Connelly), a esposa de Noé, passa por maus bocados por aqui, se bem que, é só a segunda pior coisa que Jennifer Connelly teve que encarar nas mãos do diretor.

Noah-Film-430x244

O ritmo do filme talvez afaste alguns interessados por seguir um ritmo bem devagar e com certeza, religiosos mais conservadores talvez mantenham distância devido as liberdades tomadas com o material. De qualquer forma, o filme ainda vale pelos fortes visuais, as formas como o roteiro encontra de misturar a origem criacionista do Universo com a científica, a forte mensagem ambientalista e a atuação de Russel Crowe, que há muito tempo não apresentava um trabalho tão marcante. No mínimo, é um filme épico como você raramente viu e se Hollywood está nessas de retomar filmes épicos com temática bíblica ao melhor estilo de Cecil B. DeMille, fica aqui o pedido da Freakpop de fazer um Sansão e Dalila ou a Batalha de Jericó e a Conquista de Canaã!

Até a próxima!

Comente via Facebook!

Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

Categorias
Criticas

Ver também