O Doador de Memórias (The Giver)

Baseado no Best-Seller ‘The Giver’, O Doador de Memórias chega nos cinemas brasileiros! Antes de mais nada, como um livro que vendeu 10 milhões de cópias no mundo pode...

Baseado no Best-Seller ‘The Giver’, O Doador de Memórias chega nos cinemas brasileiros!

Antes de mais nada, como um livro que vendeu 10 milhões de cópias no mundo pode ganhar uma adaptação cinematográfica tão fraca? Pois é, sabemos que isto é possível, então vamos falar do filme O Doador de Memórias, ou The Giver, que já está em cartaz nos cinemas brasileiros.

O filme retrata o dia a dia de uma colônia isolada do mundo que segue protocolos perfeitos para se ter uma vida ideal. Confuso? Não! Imagine uma pequena cidade onde as pessoas agem de forma educada, seguem regras diárias para contribuir de forma positiva para o coletivo e vivem para conquistar um lugar nos trabalhos oferecidos pelos anciões. Ainda confuso? Esta colônia não tem memórias sobre a humanidade. Todos recebem uma “lavagem cerebral” específica e vivem sem demonstrar emoções. Diariamente tomam um remédio que os mantém frios e, conforme o tempo passa, cada um recebe uma atividade para exercer conforme sua formação psicológica. Entre jardineiros e enfermeiros, temos as mulheres designadas à serem gestantes (sem sexo, tudo in vitro), professores, pilotos, faxineiros etc. Aos doze anos as crianças “se formam” e estão preparadas para contribuir com a colônia. É aqui que Jonas mudará tudo.

Jonas (Brenton Thwaites), Fiona (Odeya Rush) e Asher (Cameron Monaghan) são amigos inseparáveis e ao completarem doze anos recebem suas atividades. Para a surpresa de sua mãe (Katie Holmes) e seu pai (Alexander Skarsgård), Jonas é designado a árdua tarefa de ser o novo ‘receptor’ de memórias da colônia. Seu treinamento é realizado em um local isolado e ele tem uma importante permissão que nenhuma outra pessoa da cidade possui, a de mentir. Tudo isso pra preservar os ensinamentos que ele receberá do ‘doador’ (Jeff Bridges) que aos poucos mostra como e do que a humanidade é formada. As guerras, descobertas científicas, emoções, arquitetura, a natureza, trabalhos, culturas, raças, animais e o amor são revelados aos poucos para Jonas. Enquanto ensina, o doador defende que as pessoas não deveriam ser reclusas à verdade sobre o mundo e Jonas tenta transmitir à seus amigos e familiares algumas dessas descobertas sem ser pego pela anciã chefe da colônia, interpretada por Meryl Streep.

Obviamente que Jonas não consegue ser discreto, viola as regras comportamentais exigidas e monitoradas pelos anciões e passa a se rebelar contra estilo de vida exigido. Ele transmite parte de suas memórias para um bebê e foge da colônia na tentativa de ultrapassar a fronteira proibida.

Visualmente o filme é bem feito. Ponto final. O diretor Phillip Noyce (Salt) entrega uma visão futurística da colônia perfeita bem satisfatória. As cenas de ação deixam a desejar e em alguns momentos a edição é cansativa por takes muito longos e a repetição dos mesmos. A premissa, apesar de interessante, se desenrola de forma fraca, lenta e sem duas bases muito importantes: porque a colônia é mantida assim e porque eles tem uma única pessoa que detém todas as memórias se nenhum residente pode ter acesso. A tal consultoria que é dada por este único ancião que possui as memórias, fica em terceiro plano e não embasa o objetivo do local que é de ter uma parte da humanidade “perfeita”. O doador acaba agindo por interesses pessoais e não mede as consequências até conseguir o que quer: a de fazer com que todos os moradores tenham suas memórias reavidas. E quem fará isso? Assista ao filme ou leia o livro.

O livro, da autora Lois Lowry é aclamado e recebeu alguns prêmios em 1994 – como a Newbery Medal – e sua verdadeira proposta foge da versão cinematográfica apresentada. Apesar de ser uma obra voltada para o público jovem, os temas são abordados de forma profunda e questionadora que infelizmente sofrem de uma adaptação rasa e focada em transformar O Doador de Memórias em mais um filme teen na linha de Jogos Vorazes e Divergente

O filme ainda conta com um grande elenco, mas peca pelas crianças não aparentarem as idades da história. O romance explorado dá aquele tom de mesmice que vemos nos títulos citados acima. De fundo ainda rola uma “pincelada” daquela maldita receita de bolo sobre “destino do protagonista”. Mesmo com a presença de Meryl Streep e Jeff Bridges, o filme não se sustenta e tem um resultado bem insatisfatório para o público que não é mais teen.

Vale a pena ver no cinema? Se você gosta do livro ou se interessa por obras de ficção científica no estilo de George Orwell ou Aldous Huxley, fique longe desse.

Até a próxima.

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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