CRÍTICA | O Mestre dos Gênios – quando o poder das palavras muda vidas

Um enredo emocionante com diálogos profundos e emotivos. Um show sensível de como escrever pode mudar vidas Sabe aqueles gigantes da literatura?  Ernest Hemingway e  F. Scott Fitzgerald? Pois...

Um enredo emocionante com diálogos profundos e emotivos.
Um show sensível de como escrever pode mudar vidas

omestredosgenios_posterSabe aqueles gigantes da literatura?  Ernest Hemingway e  F. Scott Fitzgerald? Pois bem, quem descobriu esses gênios e refilou seus trabalhos foi Max Perkins e, nessa trama cheia de significados, é interpretado pelo talentoso Colin Firth (também conhecido como Mr. Darcy). Em O Mestre dos Gênios, a história de Perkins com Thomas Wolfe é contada, deixando um gosto pela literatura e tocando o coração com falas bem montadas e com profundo significado. Além, é claro, de mostrar o autor além da obra…  Bem-vindos ao mundo das palavras, do significado, do apelo lírico, as representações e alegorias.

Thomas Wolfe (Jude Law) é um escritor que ninguém entende. Ninguém quer seu manuscrito, um conjunto enorme de folhas. Até que, por indicação, o maço de papéis chega às mãos de Perkins, o homem que colocou Hemingway e Fitzgerald no mapa. Um homem sério, sisudo, focado no trabalho, devora o livro em pouco tempo, o que é uma surpresa. E aceita publicá-lo, mas com um porém: cerca de 300 páginas devem ser cortadas.

E assim caminha o filme, como uma lupa no desenrolar da edição de Look Homeward, Angel, publicado em 1929. Durante esse processo, Perkins e Wolfe desenvolvem uma amizade bem interessante. Um, sério e sóbrio. Outro, vivaz, com pensamentos a mil, com reflexões sobre a vida, o mundo e ele próprio. Wolfe ama viver e transmite essa vontade a quem está ao seu redor. É uma construção gradual que vale a pena ver e sentir.

Voltando à edição. O livro para o autor é como um filho. Gerado carinhosamente por meses, parido com dores e sofrimentos. Cortar palavras ou páginas é uma dor infinita. Com esse primeiro trabalho Wolfe sente o gostinho da fama. É chamado de gênio. E toda a complacência da primeira edição vai por água a baixo quando o novo título é entregue… Mais de cinco mil páginas!

Perkins e Wolfe ficam em um jogo de estica e puxa por dois anos para tornar esse livro comercializável.  Enquanto Perkins quer cortar, Wolfe quer incluir. Essa relação acaba afetando as vidas pessoais dos personagens, mudando completamente a rotina deles. Aline Bernstein (Nicole Kidman), amante de Wolfe (e quem paga as contas, btw), mostra um ciúme doentio do escritor, mas amadurece em cena e ensina muito sobre ser mulher naquela época, sobre querer um relacionamento igualitário, é o pêndulo que oscila denunciando a mudanças de personalidade de Wolfe e seu egoísmo. E, por outro lado, Laura Linney como Louise Perkins, a esposa atriz de Max, que largou a carreira como atriz para ser esposa e mãe.

O Mestre dos Gênios é uma jornada no mundo das palavras, no sucesso, no esforço e importância de um bom editor no processo editorial. Wolfe é um diamante bruto lapidado por Perkins. E nisso o segundo título, enfim, é publicado: Of Time and The River.

Espere bons diálogos, boa trama, relações humanas e profundidade. O ritmo é um pouco devagar, mas prende a atenção. É só ver descansado… É de sair do cinema com vontade de ler O Grande Gatsby, Por Quem os Sinos Dobram e demais títulos desses autores fantásticos que aparecem em cena.

O longa já está em cartaz nos cinemas.

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