O penúltimo episódio ilustra alguns dos maiores problemas de Game of Thrones

Infelizmente não é uma cena de ação bacana que salvará Game of Thrones de sua própria banalidade Game of Thrones – T07E06 – “Beyond the Wall” Não existe nada...
Game of Thrones

Infelizmente não é uma cena de ação bacana que salvará
Game of Thrones de sua própria banalidade

Game of Thrones – T07E06 – “Beyond the Wall”

Não existe nada mais triste do que uma obra que sacrifica o que a torna única para atender os pedidos eufóricos de um público que apenas busca a validação emocional imediata. O que George R.R. Martin fez com suas Crônicas de Gelo e Fogo para o gênero de fantasia foi o que Frank Herbert fez para ficção científica espacial em Duna. Pegou um gênero previamente associado com literatura banal e criou uma obra rica e complexa, mostrando que mesmo com magia e dragões, sendo possível narrar uma trama humana, densa e longe dos elementos narrativos cansados.

O que tem acontecido nas últimas temporadas de Game of Thrones tem se tornado cada vez mais trágico com o passar do tempo. Cada temporada conta com menos episódios. Em termos financeiros, isto permite cenas com batalhas grandiosas, mas a falta de tempo em tela reduz a trama para poucos momentos, para cada personagem que se tornam cada vez mais rasos e sem nexo. É como se a série decidisse imitar os memes e comentários cretinos que os telespectadores mais desinformados vomitam semanalmente nas redes sociais.

O penúltimos episódio desta temporada de Game of Thrones aborda dois núcleos. Jon Snow e seu bando em sua missão a la Sete Homens e um Destino para capturar um Wight e mostrar para os monarcas de Westeros que a ameaça do Rei da Noite é real. O segundo núcleo explora de forma preguiçosa, e sem a exposição devida, a tensão crescente entre as irmãs Stark em Winterfell.

Além da Muralha

Jon, Jorah, Thormund, Gendry, Thoros, Berric e Sandor seguem rumo ao norte além da muralha. Aqui, Jon se depara com uma informação crucial: ao derrotar o Caminhante Branco que ergueu os mortos, todos os wights também morrem. Eventualmente capturam uma das criaturas, porém são atacados por um gigantesco urso polar morto vivo que fere fatalmente Thoros. Antes disso, vemos os personagens conversando entre si e trocando piadinhas e comentários divertidos, o pouco tempo que o diretor Alan Taylor passou nos corredores da Marvel Studios transformou radicalmente sua forma de narrar a história.

Eventualmente, Gendry é incumbido de correr de volta à Muralha e enviar um corvo para Daenerys. O restante dos guerreiros estão cercados pelas forças do Rei da Noite e estão presos no meio de um lago congelado. Eis que começam os problemas.

Game of Thrones se tornou uma colcha de retalhos de momentos que os “fãs” querem assistir e perdeu o interesse em propriamente explorar a complexidade deste universo fictício. Sim, é empolgante ver Daenerys atacar as forças dos mortos com seus três dragões. Mas tente explicar sem ficar perplexo como Gendry correu de volta, chegou até a Muralha, enviou um corvo, o corvo chegou em Pedra do Dragão, Dany alçou voo e chegou até Jon em tempo recorde. Consideramos que Westeros tem aproximadamente o tamanho da América do Sul. Tudo nos leva a crer que Jon e o grupo passaram pelo menos algumas semanas sentados naquela pedra solitária no meio do lago. E qual é a lógica de fazer algo tão rebuscado de propriedades de fantasia preguiçosa?

Jon é um patrulheiro experiente que passou anos na Patrulha da Noite. Ele acompanhou Jeor Mormont além da Muralha e até ajudou nos preparos. Levou corvos, armas adicionais e recursos para sobreviver no gélido Norte. Qual seria o plano aqui? Arriscar a sorte que um deles seria atlético o suficiente para correr todo o trajeto de volta caso desse algum problema? Parece até mesmo que o roteiro preguiçosamente se arrasta de cena de ação para cena de ação, não?

Entendam, a batalha final, onde poucos guerreiros audaciosos tentam resistir em vão o poder macabro do Rei da Noite, ficou muito bem filmada. A aparição dos dragões ficou sensacional e nenhuma outra série conseguiu rivalizar o espetáculo visual de Game of Thrones. Porém, qual é o impacto real desta cena? Temos diversos personagens que foram jogados juntos, uma Daenerys que constantemente oscila entre monarca louca e paixonite de Jon Snow e que aparece repentinamente porque dragões são legais, mas sem nenhum tipo de desenvolvimento de personagem que traz consigo motivos concretos para resgatar os heróis. É o mesmo problema da Batalha dos Bastardos, visualmente marcante, mas sem as nuances que tornam a série tão interessante e recheada de um maniqueísmo infantil que deixa a série mais Willow do que As Crônicas de Gelo e Fogo.

Vamos falar sobre a morte de Vyserion. Muitas pessoas questionam o que isso indica para a teoria que Tyrion possivelmente é um Targaryen. Lembrem-se que Martin é um ateu existencialista, ele constantemente flerta com a ideia por trás da profecia. Não é porque Rhaegar disse que o “dragão tem três cabeças” que quer dizer que seja verdade. Analisar o papel de profecia em Game of Thrones daria um texto em si. Podemos escrever após o final da temporada.

Em Winterfell

Não são apenas dragões com tecnologia de teletransporte que dificultam a transição de tempo em Game of Thrones. Arya e Sansa estão em conflito devido à carta que Sansa enviou a Robb durante seu cativeiro em Porto Real. Arya infelizmente começou a sofrer de síndrome de Batman. Basicamente é o que acontece quando os roteiristas criam um personagem que precisa ser “impossivelmente maneiro” em todas as cenas, até isto se tornar sua única característica (pense na maioria dos personagens de quadrinhos dos anos 90 como Wolverine, Lobo e basicamente tudo da Image Comics).

Ela sempre foi uma personagem rebelde, esperta e cheia de recursos, capaz até mesmo de escapar dos Homens sem Rosto após aprender o que precisava. Antes disso, rumou por Westeros sempre se mantendo um passo a frente de seus inimigos e escapando de diversas armadilhas. Agora ela só sabe atuar como um serial killer de filme B. Se Winterfell tivesse aqueles armários de banheiro com espelho, ela apareceria atrás de Sansa. Apesar de tecnicamente terem passado meses desde a partida de Jon e Arya já estar em Winterfell a algum tempo, só agora ela decide confrontar Sansa sobre seu “passado”.

Novamente, a economia de episódios e pequenos momentos para desenvolver e estabelecer os personagens pesa na qualidade da trama. Elas passaram todo este tempo sem ao menos contar o que aconteceu em todos estes anos desde a morte de Ned Stark? Talvez Sansa poderia explicar tudo que ela foi obrigada a fazer e suportar? Talvez Arya não tenha tido nenhuma oportunidade para lidar com seu luto, mas o roteiro praticamente grita que ela é uma assassina, por mais sem graça que suas ameças sejam (de novo, síndrome de Batman).

Algo indica que Sansa ainda tem um plano para derrotar Petyr Baelish, mas assim como a revelação da origem de Jon Snow, o roteiro se arrasta para criar um falso senso de suspense até seu episódio final. Veremos.

Até a próxima!


REGRAS:

  1. Envie a(s) resposta(s) para o nosso inbox no Facebook.
  2. Cada participante poderá enviar somente 1 (uma) vez a(s) resposta(s).
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  4. Aceitaremos respostas até às 11h00 de 23/08/2017. (Encerrado)
  5. Até as 23h30 vamos divulgar aqui no post a relação dos competidores e seus pontos.
  6. Vence quem tiver mais pontos no final da exibição da temporada. Serão 3 (três) perguntas toda semana. Sempre às segundas.
  7. O vencedores ganhará um mega kit de Game of Thrones. Tem até alguns POP! Funko dos personagens. Em breve divulgaremos o prêmio completo.
  8. Boa sorte!

 

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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