CRÍTICA |O Plano de Maggie – Talvez planejar seja meio superestimado

E você planeja, pensa, parte para ação… Faz tudo diferente e mesmo assim acaba chegando mais ou menos onde queria O Plano de Maggie é aquele filme que super...

E você planeja, pensa, parte para ação… Faz tudo diferente e mesmo assim acaba chegando mais ou menos onde queria

o-plano-de-maggie-1O Plano de Maggie é aquele filme que super funcionaria como uma comédia romântica. Mas, por ser indie, tira a parte da comédia e transforma os tropeços em problemas totalmente plausíveis do dia a dia. Mesmo que não sejam, exatamente.

Maggie (Greta Gerwig) é uma mulher independente, professora, senhora de si mesma e que quer um filho. Não se vê como uma pessoa apaixonada o bastante para aguentar um parceiro o tempo correto para ter um bebê (e isso é totalmente plausível, diga-se de passagem) e quer fazer uma inseminação artificial caseira, um bom método para quem quer um bebê, não quer um pai e não tem dinheiro para uma clínica especializada. Para tal, um amigo de colégio resolve ajudá-la doando o material (hein, hein) necessário. Simples, não?

O desenrolar, que seria perfeito com um tom mais cômico, é que diferencia O Plano de Maggie de filmes com a mesma temática. Tony (Bill Hader) é o melhor amigo e um ex-namorado de Maggie e terrivelmente cômico. Ele é um contraponto sensato aos planos de Maggie, o tempo todo questionando, puxando a orelha, criticando, consolando e tentando a chamar à Terra. Mas, ei! Esse é o papel verdadeiro do melhor amigo, ou não? Casado com Felícia (Maya Rudolph), mostram a realidade dos casados da área sem perder o… Bom humor. E isso, my friend, é algo que tentamos não perder no longa, mesmo não sendo exatamente o propósito dele.

Tudo está bem e seguindo o plano inicial. Até que um professor/escritor entra na vida de Maggie sem querer querendo: John (Ethan Hawke), um homem brilhante que vive sob a sombra da sua famosa esposa de sotaque forte, Georgette, interpretada com muitos maneirismos um pouco exagerados pela talentosíssima Julianne Moore.

O tom dos discursos são dados como lições de vida, com uma aura de: podia acontecer com você também. Nhé, não muito. Maggie, em um revés dos planos, até consegue cumprir o step one da inseminação, mas um envolvimento romântico com John faz tudo mudar de figura. Três anos depois e um casamento que parece que não sai do lugar, Maggie cuida da sua filha e dos filhos do primeiro casamento de John, enquanto segura as pontas de tudo para que o marido consiga terminar o mesmo livro que escreve desde quando se conheceram. E esse bloqueio, essa de nunca terminar e deixar tudo nos ombros de Maggie dá uma senhora enervada. O mais interessante é como ela resolve cuidar da situação, que envolve um triângulo não-amoroso, muita manipulação e um final, digamos, utópico e previsível.

Maggie é aquela protagonista que faz merda, erra, tenta, sente com intensidade e…. Deixa de sentir com igual fervor. Ela é, ao mesmo tempo, a personagem mais real e mais improvável da trama toda. Um peso, duas medidas. E não somos todos assim?

Dirigido por Rebecca Miller, O Plano de Maggie já está nos cinemas e vale uma conferida 😉

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