Olhos Grandes – O novo longa do diretor Tim Burton

Olhos Grandes tem uma boa premissa, mas um diretor pouco ousado. Tim Burton é conhecido por sua direção artística repleta de cores, formas e personagens caricatas. Pela primeira vez, desde Peixe...

Olhos Grandes tem uma boa premissa, mas um diretor pouco ousado.

Tim Burton é conhecido por sua direção artística repleta de cores, formas e personagens caricatas. Pela primeira vez, desde Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas (2003),  Burton  volta a explorar uma dramática história em um filme de visual mais recatado. O resultado é bom, porém não impressiona.

Olhos Grandes é baseado em fatos reais e retrata a história da artista Margaret Keane (Amy Adams), uma jovem sensível que tem seu dom menosprezado em uma era onde a arte surrealista ainda era predominante nas principais galerias. Além disso, as mulheres ainda eram vítimas do machismo descarado da sociedade. Quando ela se casa com Walter Keane (Christoph Waltz), ele logo consegue criar uma forma de rentabilizar as criações de Margaret, porém levando o crédito como autor. Margaret se entrega à ganância de seu marido que afirmava ser a pessoa certa para as divulgações, negociações e relacionamento com as galerias e clientes. Margaret se vê sem saída, cede às intenções do marido e passa anos em um quarto fechado pintando enquanto ele se prende à sua vaidade e falsa fama.

O casamento de Margaret e Walter chegou ao fim em 1965, e no início da década de 70 ela revela em uma rádio que é a verdadeira artista por trás de seus quadros. Sua atitude leva o caso à julgamento. Margaret vence e tem sua arte, tida como a mais rentável entre os anos de 1955 e 1965, finalmente reconhecida.

A história, demasiadamente dramática e de grande peso para a história da arte da época, é nebulada pelos olhos de Tim Burton que acaba por não equilibrar os dois lados da história e foca mais na relação do casal do que na evolução artística de Margaret. De forma superficial, o drama vivido pela artista é apresentado em suas obras, mas sempre ofuscado por alguma discussão familiar ou crítica jornalística da época. O longa entrega um bom enredo pessoal da pintora, mas uma confusa trajetória do ponto de vista artístico. Amy Adams sustenta uma boa atuação, mas peca com a emoção, já Waltz oscila entre um marido interesseiro e um caricato pintor descontrolado. É neste momento que vemos o vício de direção de Burton que não consegue, mais uma vez, se desvincilhar de seus personagens cartunescos bidimensionais. O diretor, conhecido por aprofundar e humanizar personagens peculiares como em Edward Mãos de Tesoura, conquistando a audiência com emoção e personalidade, novamente oferece um protagonista vago e superficial.

Uma boa dica de filmes biográficos de pintores famosos, é o longa Moça com Brinco de Pérola, de 2003, que conta a história do artista Johannes Vermeer, onde sua biografa é cinematograficamente relatada sem perder o foco no processo de criação e inspiração do pintor entre as problemáticas pessoais.

O fôlego do filme é alimentado pela curiosidade do telespectador, ao chegar ao fim, Olhos Grandes,  não empolga o suficiente para ser visto uma segunda vez. Agora nos resta esperar para ver o que Tim Burton vai aprontar na sequência de Os Fantasmas Se Divertem. Por favor, não destrua a nossa infância!

O filme tem estreia marcada para o dia 29 de janeiro.

Até a próxima.

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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