A Bain Company fez um estudo sobre serviços de streaming como Netflix e Amazon e o futuro das empresas de mídia no mercado de conteúdo. Confira aqui na Bestv

Os Canais Streaming Abalando as Bases

Desde que a Disney anunciou a compra por mais de 70 bilhões de dólares a 20th Century Fox, parece que um grande tsunami começou a ser formar entre as...

Desde que a Disney anunciou a compra por mais de 70 bilhões de dólares a 20th Century Fox, parece que um grande tsunami começou a ser formar entre as grandes corporações de comunicação dos Estados Unidos para competir nos mesmos moldes que os canais streaming como a Netflix e Amazon Prime. As duas últimas ondas bilionárias desse tsunami aconteceram nos últimos meses quando a AT&T comprou a Time Warner e a Viacom se fundiu com a CBS.

As novas companhias de comunicação já anunciaram que vão entrar nesse território dominado por Netflix e Amazon, com suas próprias “emissoras” streaming. A WarnerMedia entra em 2020 no ar com o seu canal HBO Max enquanto que a ViacomCBS  vai incrementar o conteúdo do canal CBS All Access, com as séries e os filmes da Paramount, que agora não precisam ser licenciados para a CBS, como a franquia Jornada nas Estrelas.

É bom lembrar que esse tsunami está atingindo o consumidor americano, inicialmente. Vários contratos de licenciamento de filmes e séries firmados com a Netflix e a Amazon para o mercado americano foram cancelados em função dessa nova cara do mercado de entretenimento. Por isso, a necessidade urgente desses dois canais streamings de buscar produções como filmes e séries em outros parcerias e países.

Quem fez uma análise sobre a atual situação do mercado de conteúdo e distribuição nos Estados Unidos foi a Bain & Company. Segundo o estudo, “com seus imensos públicos e investimentos colossais, a Netflix, a Amazon e outros disruptores digitais estão aumentando de forma nunca vista o custo de aquisição e criação de conteúdos de alta qualidade no cenário de entretenimento mundial.

O estudo diz ainda que “as empresas do setor de mídia, como estúdios e produtoras, não conseguirão competir em pé de igualdade com esses gigantes, a menos que façam investimentos maciços em conteúdo e reforcem seus recursos em tecnologia de produção e análise de dados.” Segundo o estudo, transformações significativas de custo são a maneira mais efetiva para liberar o capital necessário.

A Bain & Company afirma que a transformação de custos nunca é um assunto fácil – ainda mais em Hollywood, onde os gastos generosos são uma maneira comprovada de atrair talentos e adquirir o melhor conteúdo. Mas com tamanha ameaça se aproximando, os executivos das empresas de mídia devem encontrar maneiras de integrar essa tarefa tanto em suas organizações como na cultura da própria indústria.

A BesTV reproduz abaixo o estudo da Bain & Company, que é uma consultoria global que ajuda as empresas e organizações mais ambiciosas do mundo a definir o futuro:

Desde o início da era blockbuster, por vezes datado no lançamento de Tubarão (Jaws), em 1975, as empresas de mídia se apoiaram no princípio de que criar e lançar o próximo grande sucesso era o objetivo número um na indústria. Os resultados com bilheteria, distribuição internacional, licenciamentos e aluguel de vídeos eram tão grandes que mais do que justificavam a despesa.

Essa mentalidade de lançar blockbusters ajudou a alimentar uma enorme criatividade, inovação e avanços tecnológicos na produção de vídeos. As empresas de mídia desenvolveram estratégias para reunir os melhores talentos e fornecer-lhes quase tudo que quisessem para participarem de seus filmes. Os orçamentos de produção e marketing foram aumentando à medida que os estúdios investiam em apostas maiores, amparados pelo fato de que uma franquia “Piratas do Caribe”, de enorme sucesso, cobriria um fracasso eventual como “John Carter”.

Essa mentalidade de “go big or go home” não se limitou ao cinema. O enorme sucesso de séries de TV como Friends e ER, que em seus auges custavam mais de US$ 10 milhões por episódio, gerou ganhos descomunais para seus proprietários, abrindo oportunidades para centenas de programas e produtores, bem como uma enorme rede de serviços, agentes , assistentes e fornecedores apoiando esse ecossistema. Nos EUA, um grande influxo de capital resultante da ascensão da TV paga, que começou a atrair bilhões de dólares para a indústria nos anos 90, acelerou ainda mais esse crescimento. Hoje, os episódios da temporada final de Game of Thrones da HBO custam mais de US$ 15 milhões cada. O influxo de capital da TV paga impulsionou o gasto total em programação nos EUA.

Novos concorrentes, novas regras

A chegada de uma nova geração de inovadores digitais, liderada por Netflix e Amazon, acelerou o jogo drasticamente. Os telespectadores voltaram seus olhos – e bolsos – de forma sem precedentes para esses serviços de streaming, gerando receita que permite aos novos players investirem em conteúdo em níveis que poderiam exaurir rapidamente os cofres dos operadores tradicionais. A Netflix, por exemplo, gastará US$ 15 bilhões em conteúdo em 2019. E como serviços primordialmente digitais, essas empresas têm vantagens de financiamento que as empresas tradicionais de mídia não possuem porque os investidores as valorizam de forma diferente e, no caso da Amazon, suas receitas estão fortemente ligadas a outras empresas.

A Bain Company fez um estudo sobre serviços de streaming como Netflix e Amazon e o futuro das empresas de mídia no mercado de conteúdo. Confira aqui na Bestv

O impacto que a Netflix, a Amazon e outros serviços de streaming tiveram na TV foi imenso. Seus investimentos desmedidos no desenvolvimento de conteúdo transformaram todo o cenário de financiamento. Além disso, os disruptores digitais ampliam suas vantagens usando a análise de dados em um ritmo e nível de detalhes que as empresas já estabelecidas não conseguem acompanhar. Eles analisam comportamentos de visualização e padrões de retenção para tomar grandes decisões, como fez a Netflix ao pagar incríveis US$ 100 milhões para renovar seu acesso a Friends, em 2019. Eles usam serviços em nuvem como a Amazon Web Services para ganhar escala rapidamente e de forma muito mais competitiva do que as tradicionais abordagens de custo fixo. Juntos, os novos entrantes podem oferecer uma experiência mais personalizada e econômica aos espectadores, conhecendo-os e servindo-os melhor.

Os estúdios estão dando uma resposta por meio de consolidação para crescer, adquirir mais conteúdo (Disney e 21st Century Fox, Discovery e Scripps, e outros que provavelmente virão) e para garantir uma distribuição mais ampla (Comcast e NBCUniversal, AT&T e Time Warner). E depois de anos oferecendo serviços de streaming limitados projetados principalmente para proteger seus modelos de negócios, as empresas de mídia estão finalmente lançando serviços mais completos, encabeçados por ofertas da Disney, NBCUniversal e, no Reino Unido, da BritBox, ITV e BBC. O baixo preço mensal da Disney e os enormes cardápios de ofertas certamente aumentarão a pressão sobre outros players de streaming, particularmente aqueles com conteúdo menos diferenciado e em condições financeiras menos favoráveis.

Os executivos também estão investindo rapidamente em suas próprias capacidades analíticas e digitais para diminuir a distância em relação aos inovadores – contra-ataques que exigirão investimentos em escala com conteúdo e publicidade, bem como gastos maciços em áreas mais novas, como tecnologia móvel para personalizar o conteúdo e promover um atendimento digital personalizado.

As quatro áreas mais importantes

O conteúdo ainda é o mais importante de tudo, segundo a Bain & Company. House of Cards foi uma série inovadora para a Netflix, elevando o nível do streaming de conteúdo e trazendo para o mainstream a “compulsão” em assistir uma série. Mas a Netflix teve que superar a HBO e, possivelmente outros, pelos direitos de exibi-la. Os desenvolvedores da série já tinham o conteúdo, o diretor e o talento alinhados antes que qualquer rede tivesse a chance de fazer parceria com eles.

Essa história ilustra como os criadores de conteúdo estão ganhando mais controle no setor. Ela também destaca o fato de que encontrar e entregar ótimos produtos continua a ser a parte mais importante do jogo. E está ficando mais caro a cada ano. Em outros tempos, os estúdios e as redes poderiam investir com menos compromisso em novas programações e esperar para ver aonde ia. Se o show tivesse sucesso, eles poderiam aumentar seu investimento, sabendo que eles colheriam o retorno por anos, enquanto centenas de episódios eram reproduzidos. Os serviços de streaming operam sob um modelo diferente. A lógica é superar a concorrência pelo conteúdo mais atraente para aumentar as assinaturas. Redes e estúdios pagam mais e mais cedo, criando uma corrida armamentista pelos melhores ativos.

Análise avançada de dados e recursos de percepção do consumidor. As análises não são novidade na mídia, mas a cada ano as coisas se movem mais rápido e as apostas aumentam. Investir em capacidades analíticas é a única maneira de tomar decisões informadas sobre conteúdo, marketing e distribuição. Ter visibilidade em tempo real das visualizações abre novas possibilidades para fornecer melhores recomendações, anúncios mais relevantes e novas maneiras de gerar receita. Insights mais profundos também podem oferecer uma vantagem estratégica em termos de selecionar o conteúdo certo e negociar preços que vão além dos números de audiência.

Tecnologia de última geração para melhorar a produção. O avanço da tecnologia na indústria de mídia deve acelerar nos próximos três a cinco anos, com inovações, realidade aumentada e virtual, formatos de vídeo ao vivo nas redes sociais, uso de drones durante a produção e aumento de experiências domésticas conectadas.

Modelos direto ao consumidor. Os modelos D2C estão evoluindo rapidamente. Além dos investimentos em interfaces de usuário, aquisição de clientes e pacotes de conteúdo, os players tradicionais terão de investir em novos recursos, como experiências digitais, capacidade de atendimento ao cliente e automação.

Exercícios de corte normalmente reduzem os custos em apenas 1% a 2%, mas isso não é mais o suficiente hoje. As equipes executivas devem ter um objetivo maior. Um ambicioso programa de transformação de custos deve alcançar melhorias de dois dígitos, talvez até 20% ou mais em áreas específicas.

Depois de ler todas essas informações,  resta saber se todo esse impacto que esse tsunami irá causar no mercado de consumo de conteúdo no mercado norte-americano ira respingar no resto do mundo, especialmente para America Latina e Brasil. O negócio, segundo especialistas, é não agitar a água…

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