Pequena Grande Vida tem boas ideias mas não sustenta a própria premissa

Pequena Grande Vida afunda com o peso da própria premissa Naturalmente qualquer projeto por Alexander Payne e Jim Taylor merece uma atenção diferenciada. Colaborações da dupla criaram alguns dos...
Pequena Grande Vida
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Pequena Grande Vida afunda com o peso da própria premissa

Naturalmente qualquer projeto por Alexander Payne e Jim Taylor merece uma atenção diferenciada. Colaborações da dupla criaram alguns dos filmes  mais aclamados e premiados dos últimos tempos como Sideways – Entre Umas e Outras, Os Descendentes e Nebraska. Nada mais justo do que esperar que seu novo projeto, Pequena Grande Vida seguisse como mais um sucesso…

Maaaas…

Alguma coisa durante a elaboração da premissa de Pequena Grande Vida deu errado. No longa, cientistas noruegueses descobrem uma metodologia que encolhe matéria orgânica. Rapidamente, criam a primeira colônia de “pequenos”, pessoas que deliberadamente reduziram sua estatura para viver de forma mais ética. Afinal, o consumo é drasticamente reduzido assim como a emissão de poluentes. Alguns anos depois, o processo de encolhimento virou uma moda, mas o discurso ambiental é ignorado ou, no mínimo, apenas usado para fazer quem decidiu ser pequeno parecer mais progressivo. O grande apelo é que ao encolher, toda a renda do indivíduo aumenta em 10 vezes apenas pela redução de consumo e a pessoa pode efetivamente se aposentar e viver uma vida de luxo.

Entra Paul e Audrey Safranek (Matt Damon e Kristen Wiig) que decidem passar pelo procedimento já que em sua situação financeira atual não conseguem levar uma vida confortável. Durante o procedimento, Audrey muda de ideia e foge antes de completar o encolhimento, deixando Paul sozinho em Lazerlândia, a cidade de luxo dos Pequenos.

Aos poucos, Paul começa a reconstruir sua vida e conhece algumas figuras proeminentes, como seu excêntrico vizinho Dušan (Christoph Waltz) que vive a boa vida e só curte os luxos da Lazerlândia e Ngoc Lan Tran (Hong Chau), uma refugiada vietnamita que oferece a Paul uma visão da desigualdade social que permeia até mesmo o mundo dos Pequenos.

Indeciso sobre o que quer ser

Pequena Grande Vida não chega num acordo sobre que tipo de filme quer ser ou que história quer contar. O que claramente começa como um comentário alegórico sobre a natureza destrutiva de um sistema capitalista, seu impacto no meio ambiente e os gigantescos desafios de enfrentar um regime fundamentalmente enraizado em diferentes economias e o colapso inerente esperado de qualquer mudança de hábito para reduzir o impacto do consumo desenfreado, rapidamente se torna um romance açucarado e raso entre os personagens de Damon e Chau.

Até aí, usar uma premissa de ficção científica e realisticamente abordar alguns elementos sociais que trazidos pela lógica interna deste universo fictício faz sentido, mesmo que o objetivo final seja contar uma história totalmente diferente. Aí que entra o segundo problema. Para chegar nos finalmentes da intenção do roteiro, Pequena Grande Vida leva 135 minutos para contar sua história. E, naturalmente, uma virada tão vertiginosa na história proposta causa um desfecho no mínimo decepcionante.

Em suma…

Apesar de abordar ideias e temas interessantes, o roteiro pouco se interessa em explorar em profundidade o mundo dos Pequenos ou suas consequências no mundo. Ao se dedicar em contar apenas a jornada de seus personagens e como estes interagem entre si, o filme abandona todo seu potencial para mergulhar em uma trama previsível que diz pouco sobre si ou a grandiosidade de suas ideias.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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