A BesTV realiza uma análise que tenta descobir qual será o futuro das séries de TV com tantas plataformas de streaming e serviços on demand para consumidores

Qual é o futuro das séries de TV?

A BesTV realiza uma análise que tenta descobir qual será o futuro das séries de TV com tantas plataformas de streaming e serviços on demand para consumidores...

Executivos das grandes redes de TV nos Estados Unidos tem vivido momentos críticos nos últimos cinco anos quando os serviços on demand perceberam que poderiam oferecer uma programação de filmes e séries mais eficiente do que as próprias emissoras. Num mercado sólido como o dos Estados Unidos, a Netflix que começou distribuindo filmes e séries em DVD e Blu-ray diretamente para o consumidor, mas acabou mudando seu foco de trabalho fazendo esse mesmo serviço pela internet. E aí tudo mudou.

Vendo que poderia ser mais direta na criação de um conteúdo diferenciado, a Netflix começou a investir na produção de seus próprios seriados e filme. Em 2014, lançou duas séries originais, Orange is the New Black e House of Cards, que se transformaram em fenômenos de audiência, fazendo o foco da imprensa notar o trabalho da empresa no mundo inteiro. E mesmo não sendo exibidas em nenhuma TV, as duas séries foram indicadas em várias categorias do EMMY, o premio máximo da TV mundial.

Uma estratégia que fez a Netflix se destacar junto ao consumidor foi a de disponibilizar suas séries originais integralmente no mesmo dia. Ou seja, o consumidor poderia fazer sua própria maratona de Orange… por exemplo, já que todos os 13 episódios da primeira temporada estavam disponíveis a um simples clique do mouse do computador. Sem contar o fato que os principais fabricantes de SmarTV, acrescentaram o aplicativo da Netflix para o consumidor acessar a programação diretamente de seu televisor. Aliás, de qualquer dispositivo móvel, diga-se.

Mas por que isso está afetando o sono dos executivos de TV tanto no Brasil como nos Estados Unidos? A resposta não é simples, por que acrescenta nessa conta todos os outros serviços on demand que começaram a surgir com produções originais. Se no princípio era a Netflix, agora tem também a Amazon Prime, Hulu, Apple, a CBS All Access (que trouxe a série Star Trek Discovery como atrativo para o serviço streaming da Rede CBS). Sem contar com os primeiros passos da DC Universe, canal streaming que trouxe programação exclusiva nos EUA, com Titãs (disponível pela Netflix aqui no Brasil), Patrulha do Destino e Monstro do Pântano, e a ansiosa chegada de dois monstros de conteúdo: Disney Plus e WarnerMedia.

Continuando, esses novos serviços começaram a criar condições para produzir suas próprias séries originais, com elencos, roteiristas e diretores premiados, num caminho que já vinha sendo trilhado por várias emissoras pagas americanas, desde no início do século, após o sucesso de Oz, Sex and the City e Família Soprano. Essas produções oferecidas pelos canais da TV Paga tinham conteúdos mais elaborados, mais adultos (desculpe o clichê), um interessante atrativo para públicos mais exigentes e astros de cinema querendo fazer a diferença em suas carreiras. E a lista é enorme.

Aqui no Brasil, antes do tsunami Netflix iniciar sua onda junto ao consumidor brasileiro, a TV Paga cresceu e começou a oferecer seus próprios serviços on-demand como o NET NOW ou Vivo Play, além de várias emissoras pagas também oferecerem o serviço para os assinantes. Com isso, assim como o público americano, o brasileiro se viu num mar de novas produções originais, incluindo as nacionais como Zé do Caixão (Space), PSI (HBO), Vizinhos (GNT), Santo Forte (AXN) e O Grande Gonzalez (Fox).

O que mudou no Brasil também é que o volume de conteúdo diferenciado aumentou com a chegada dos serviços da Amazon Prime, da Looke, da Fox com o aplicativo Fox+, além de vários canais por assinatura disponibilizares seus conteúdos através dos serviços on demand das operadoras. Até as grandes redes como Globo e Record entraram no mercado oferecendo seus conteúdos em canais streamings como a Globoplay e PlayPlus, respectivamente.

Outro fator importante para entender o atual momento da produção de séries é o efeito das temporadas das emissoras americanas. Até pouco mais de cinco anos, o foco era a Fall Season, que começa em setembro e vai até maio do ano seguinte, onde as grandes redes como ABC, CBS, NBC e Fox renovam sua programação e acrescentam novas produções, vistas em maio durante a exibição dos pilotos das séries, conhecida como L.A. Screenings, que acontece em Los Angeles.

Mas várias emissoras começaram a lançar séries além da midseason (que começa em março e vai até final de maio), também na novata Summer Season, que começa em junho, junto com as férias escolares, e segue até o final de setembro. E por contar com uma concorrência acirrada das outras emissoras que compõe a programação americana, além das emissoras premium como HBO, AMC, Starz e Showtime, por exemplo, a luta para conseguir novas produções que carreguem a audiência tem sido uma luta assustadora.

Assustadora por que não existe mais a competição pela melhor produção entre as grandes Redes ou os canais nobres da TV Paga. Ela foi elevada a uma categoria jamais vista na história da TV com a disputa com todos, todos os dias o ano todo, dentro e fora dos Estados Unidos. De oitenta roteiros para serem aprovados e virarem pilotos, o número se transformou em 300 textos! E não importa quantos serão aprovados nessa quantidade por que certamente, eles terão espaço em qualquer uma das plataformas que oferecem esses conteúdos. E sem contar também as minisséries e os telefilmes, além do fator que uma série cancelada numa  grande rede pode ganhar nova vida em um canal streaming, como aconteceu com Lucifer: cancelada pela Fox americana na terceira temporada, ganhou mais duas ao ser resgatada pela Netflix.

Curiosamente, operadoras como Net e Vivo vem oferecendo em seus pacotes a inclusão de canais streaming como Netflix e Amazon, além da Looke brasileira. Com isso, o consumidor brasileiro começou a receber oferta de conteúdo, especialmente novas séries numa proporção nunca vista na história da TV brasileira. Nos primeiros 50 anos, chegaram à telinha cerca de mil produções internacionais e brasileiras no formato série semanal. Nos primeiros 18 anos do século 21, cerca de 2.000 produções seriadas foram e estão sendo exibidas pela TV brasileira Aberta e Paga, junto com os serviços on-demand, segundo pesquisa feita pela equipe da BesTV.

O canal Mais Globosat, por exemplo, trouxe para sua grade quando começou a operar em Alta Definição, diversas produções europeias e australianas, como Government (Dinamarca), Vares (Finlandia), Laid (Australia), Rani (França) e Punta Escarlata (Espanha).

Se existe espaço para a produção de séries e seu posterior canal de consumo, como isso afeta o trabalho das grandes redes de TV americanas? A resposta está nos próprios canais streaming como a Netflix e Amazon, por exemplo. Desde que descobriram que o consumidor, seja brasileiro ou fora do país, é um fã incondicional de séries, a busca por novos conteúdos tem sido uma caçada digna de um clássico faroeste. E aí, vem a novidade: a busca por novos conteúdos não mira as produções americanas. Existe um alvo pintado nas costas de todo e qualquer produtos que tenha uma série interessante ou uma ideia para produzir um conteúdo  para abastecer a fome mundial desse produto.

Antes da Netflix entrar com uma variedade expressiva de conteúdo não-de-língua-inglesa, os canais Mais Globosat, Film & Arts e Eurochannel abasteciam modestamente o consumidor com produções basicamente inglesas, suecas, espanholas, francesas, europeias de um modo geral. Hoje, com o acesso mundial , pode-se assistir a Kingdom, uma super-produção coreana que mostra o século 14 infestado de zumbis, até a busca por descobrir o responsável por um atentado em Bombaim, na indiana Jogos Sagrados; além do conceito de super-herói aplicado a uma lenda Turca, de O Ultimo Guardião.

Não se sabe, ao certo, se esse pesadelo que vive nos sonhos dos executivos pode ser uma realidade, ou é apenas um rumor soltado pela concorrência para deixar a vida deles mais interessante. O fato é que muita gente que está atuando na indústria já sentiu a mudança de ares que vem acontecendo com o público, principalmente, nos Estados Unidos. Aqui no Brasil, emissoras como Globo, Record e Bandeirantes, estão se preparando para esse futuro ainda incerto.

De qualquer maneira, o fã de série de TV pode ficar tranquilo sobre seu objeto de consumo. O futuro sempre estará presente para as produções seriadas, independente da fonte de sua exibição, seja numa emissora de TV ou um serviço streaming ou on demand. Esperemos que todos sobrevivam para termos o prazer de escolher…

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