Quatro filmes melhores do que A Culpa é das Estrelas

Você assistiu A Culpa é das Estrelas? Chorou? Agora entenda porque suas lágrimas foram em vão! Vamos lá Hollywood, vocês já foram melhores com os filmes que envolvem doenças...

Você assistiu A Culpa é das Estrelas? Chorou? Agora entenda porque suas lágrimas foram em vão!

Vamos lá Hollywood, vocês já foram melhores com os filmes que envolvem doenças terminais, em especial com o câncer. A Culpa é das Estrelas estreou este ano e virou um dos filmes mais comentados do ano. Baseado no livro The Fault In Our Stars (A Culpa é das Estrelas), o filme conta a história de Hazel Grace Lancaster (Shailene Woodley) que leva uma vida sem rotinas e grandes acontecimentos em virtude de sua condição médica. Após se render às incansáveis sugestões de grupos de apoio, ela passa a frequentar esses encontros na tentativa de melhorar sua relação com a doença a partir da troca de experiência com outros pacientes. É neste local que ela conhece um simpático jovem chamado Augustus Waters (Ansel Elgort), um rapaz que também está doente e não possui uma das pernas em virtude do câncer.

Juntos eles descobrem suas diferentes maneiras de encarar a doença e através de um amor virginal e inofensivo, eles embarcam em uma grande jornada de descobertas, experiências e paixão. Enquanto superam as dificuldades da doença, eles passam pelas fases do primeiro amor adolescente até que Augustos morre. Ah nossa, um spoiler! Relaxa, isso não muda em nada.

Esta semana o pessoal do Screen Junkies, divulgou o Honest Trailer de A Culpa é das Estrelas, e sim, foi um dos melhores vídeos que já vi. Vamos assistir?

O ponto não é que filmes sobre doenças terminais sejam clichês ou melodramáticos demais, o problema é termos um livro e um filme com uma história estilo Crepúsculo. Ao invés do vampirismos, temos o câncer como “impeditivo” entre os protagonistas de viver um grande amor. QUALÉ galerê, essa receita de bolo já é conhecida e apesar de uma excelente atuação de Shailene Woodley, o filme é sonso, ingrato e em muitos momentos extremamente ofensivo às pessoas que já sofreram ou sofrem por ter câncer. A forma mágica e super otimista encontrada pelos protagonistas para lidarem com suas condições de saúde é totalmente irreal. O filme praticamente fala que adolescentes com câncer devem se apaixonar para viverem mais felizes. Gente, não! Não dá para aceitar esse longa.

Ah sim, voltando aos quatro filmes que são melhores que “A Culpa é do Câncer”. Você quer saber o que estes filmes tem em comum? Sensibilidade ao retratar o convívio social e dificuldades psicológicas ao lidar com uma doença terminal. Vamos lá:

Lado a Lado (1998)

Julia Roberts, a nova esposa, e Susan Sarandon, a ex-esposa, disputam pela atenção dos filhos de Ed Harris. Sarandon está doente, e além de ter que lidar com ausência de uma possível cura, ela ainda tem que deixar seus filhos pequenos nas mãos da jovem e moderna nova esposa de seu ex-marido. Juntas, e ao mesmo tempo separadas, elas lidam com as questões familiares e a aceitação da família com a futura ausência da matriarca. Inseguranças que vêm tanto de uma doença terminal quanto da ameaça de uma mulher mais jovem solidificam a trama e criam desafios reais que deverão ser superados.

Álbum de Família (2013)

Este filme é o exato oposto de Lado a Lado. Enquanto em um a protagonista se preocupa em como a família ficará após seu falecimento, no outro Streep é uma mulher viciada em remédios e com câncer que não está nem aí para a família. Após o desparecimento de seu marido, a família tenta lidar com o comportamento abusivo e depressivo da mãe que se ocupa em questionar sua existência e ofender a todos que estão à sua volta. Julia Roberts, sua filha mais velha, chega na casa tentando restabelecer a paz do local entre diversos segredos da família que são revelados aos poucos. O filme ousa em apresentar uma personagem doente que não tem interesse em se redimir ou merecer a torcida da audiência. Um retrato doloroso de muitas famílias que precisam lidar com esse tipo de doença sem a firula de achar que todos os enfermos pela doença se tornam criaturas mágicas merecedoras de simpatia e um final feliz.

As Horas (2002)

Em três períodos diferentes vivem três mulheres ligadas ao livro “Mrs. Dalloway”. Em 1923 vive Virginia Woolf, interpretada por Nicole Kidman, autora do livro, que enfrenta uma crise de depressão e ideias de suicídio. Em 1949, vive Laura Brown (Julianne Moore), uma dona de casa grávida que mora em Los Angeles, planeja uma festa de aniversário para o marido e não consegue parar de ler o livro. Nos dias atuais vive Clarissa Vaughn (Meryl Streep), uma editora de livros que vive em Nova York e que dá uma festa para Richard (Ed Harris), escritor que fora seu amante no passado e hoje está com Aids e morrendo. Três personagens lidam com suas dificuldades emocionais e psicológicas, mas é no tempo atual que Ed Harris explora as verdadeiras barreiras sociais de ser portador do vírus da AIDS e de como é difícil encarar a jornada até o dia de seu falecimento.

The Normal Heart (2014)

O ganhador do Emmy de 2014 na categoria de Melhor Filme de TV é, de longe, o melhor filme que retrata a AIDS. De forma honesta e transparente, as dificuldades sociais, políticas, culturais e amorosas são exibidas de forma crua. Mark Ruffalo é o homem por trás de uma grupo de apoio aos doentes e famílias que precisam lidar com pacientes ou com o falecimento dos mesmo em função da AIDS. Em tom frio e crítico, o filme aos poucos desconstrói a identidade de ambos os lados do conflito e aponta, sem querer criar as vítimas, que ambos os lados tiveram sua dose de culpa na epidemia.

Já deu para entender que os quatro filmes aqui listados são de fatos dramas intensos e reais que envolvem doenças terminais. Os longas não deixam de explorar romances, mas também não usam este ponto para justificar ou maquiar a realidade por trás do futuro que os personagens terão de enfrentar: a morte. Foi justamente isso que A Culpa é das Estrelas fez. Tentou expor uma forma de viver a vida enquanto o fim não chega, porém com muita fantasia, argumentos intangíveis e padrões comportamentais e psicológicos já vistos em filmes como a saga Crepúsculo, Jogos Vorazes, A Hospedeira, Divergente, Maze Runner e 16 Luas. O que eles têm em comum? Adolescentes banais e contraditórios sem personalidade. No filme, o câncer só funciona como um impeditivo para o casal permanecer junto e não necessariamente trás uma dinâmica única. A trama se desenvolveria da mesma forma se um dos personagens fosse humana e o outro sei lá… um unicórnio ou um lobisomem. Aliás Hollywood, quer comprar o roteiro?

Quer assistir um drama de verdade e alagar a sua sala de tv? Invista em um dos filmes acima.

Até a próxima.

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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