Robocop

Antes de começar o review de hoje, vamos falar rapidamente do Robocop original. Robocop é considerado um dos maiores filmes da história do cinema, e não somente por causa...

Antes de começar o review de hoje, vamos falar rapidamente do Robocop original.

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Robocop é considerado um dos maiores filmes da história do cinema, e não somente por causa da violência desenfreada que deixou o filme famoso, mas porque Paul Verhoeven construiu uma das maiores paródias da era Reagan. Em um único filme, o corporativismo desenfreado da década de 80 nos EUA, o papel da violência na sociedade, questões de privatização, militarização, a ideia da masculinidade extrema são alguns dos elementos são explorados em variados níveis de sutileza. Robocop é muito mais que um filme de ação, é um retrato da mentalidade bélica ocidental e seu papel no psicológico do indivíduo. Não é a toa que este filme foi objeto de estudo de inúmeros críticos, intelectuais e filósofos e até hoje é utilizado para debates sobre variados temas. E como será que o remake se compara a este legado?

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O novo Robocop segue a mesma premissa do original. Detroit é uma cidade devastada pelo crime e o detetive Alex Murphy (Joel Kinnaman) é mais uma vítima desta guerra. A Corporação OmniCorp vê nele a oportunidade de criar uma nova geração de policiais cibernéticos. Na forma de Robocop, Alex começa sua missão de caçar criminosos e se livrar das restrições de programa que a corporação coloca em seu cérebro e sistema operacional. A grande diferença aqui é que, desta vez, a OmniCorp investe na tecnologia Robocop como uma forma de burlar as restrições legais do governo americano sobre operação de drones em solo nacional. A OmniCorp ganha bilhões utilizando seus robôs de combate em guerras pelo mundo e ao criar o que se resume a um drone que pode se passar por ser humano, podem vender seus produtos nos EUA.

A sacada de utilizar o novo Robocop como uma analogia à discussão de drones é interessante, mas sofre devido a um roteiro preguiçoso. A exposição do panorama político neste futuro é explorada de forma sem graça pelo personagem de Samuel L. Jackson, que apresenta um programa típico de Fox News, onde ele defende a necessidade de novas tecnologias de combate ao crime e ataca os políticos que são contra tal iniciativa.

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Assim como outros filmes do José Padilha (Tropa de Elite, Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro, Tropa de Elite 3: Tropa de Elite no Espaço), o diretor condena uma prática enquanto vangloria uma muito pior (no caso de Tropa, o personagem que critica a corrupção do sistema mata e tortura cidadãos brasileiros), aqui, Robocop é utilizado como crítica ao corporativismo, como uma analogia a desumanização do indivíduo perante a violência mas ao mesmo tempo, a audiência deve respeita-lo como herói e por ser uma espécie de super detetive. O “super” vem do fato que Alex Murphy consegue acessar todas as câmeras da cidade e rastrear criminosos em tempo real, ou seja, drones em solo americano e ganância são coisas ruins, mas violar totalmente a privacidade de todos os cidadãos da cidade não tem problema nenhum.

Visualmente o filme deixa a desejar, quando Padilha não está ocupado plagiando cenas de Metal Gear Solid 4 e Metal Gear Rising, o que acontece na tela é bem preguiçoso. As cenas escolhidas para fazer filmagens que lembram mais o estilo do diretor foram péssimas (cenas de diálogo são filmadas como se fossem documentários) e o mais estranho, Detroit deveria ser uma cidade beirando a destruição e muito dificilmente é possível notar isso.critica-de-robocop3

No final das contas vale a pena? O filme é divertido e não vai ofender, não agrega nada e se você só busca um filme para ver tiros e explosões é uma boa escolha, mas como homenagem ao original? Passa longe…

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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