Saint Laurent – O filme francês que tem cheiro de Oscar

A história do famoso estilista Yves Saint Laurent volta às telas em grande produção. Mais um filme baseado na história do estilista? Sim, mas com uma produção e propósito...

A história do famoso estilista Yves Saint Laurent volta às telas em grande produção.

Mais um filme baseado na história do estilista? Sim, mas com uma produção e propósito bem diferentes. O longa narra o auge da carreira do estilista, entre o final da década de 60 e 70, logo após sua trágica participação como soldado na Guerra da Independência da Argélia que o levou à um hospital de tratamento mental. Agora o ano é 1967, época em que seu reinado na alta-costura iniciou após sair da direção criativa da marca Christian Dior em 1962 para fundar a famosa YSL.

Yves Saint Laurent, que é majestosamente interpretado pelo ator Gaspard Ulliel, é um jovem rapaz minucioso e revolucionário prestes a mudar a vestimenta das mulheres da época. Responsável pela criação do Smoking Feminino, que permitiu as mulheres o uso da calça comprida de forma elegante, o longa retrata todo o cuidado e processo criativo do estilista e de sua equipe com as peças. Do momento onde Saint Laurent senta para desenhar, passando pela modelagem, escolha dos tecidos, corte e costura, acabamento e etc, uma riqueza de detalhes do que seria o dia a dia de trabalho de todos os envolvidos com a marca.

Um outro lado da história também é apresentado. Ao lado de seu marido, Pierre Bergé (Jérémie Renier) que era responsável pela parte financeira da marca, Laurent abusa do uso de drogas, orgias e relacionamentos extraconjugais, o que quase levou a marca à falência. Mesmo após a separação do casal, em 1976, a parceria de trabalho se manteve por mais 30 anos.

O filme é absurdamente bem dirigido e o visual é impecável. As ambientações, peças dos cenários, takes de um simples croqui à um desfile são tão bem produzidas que chega à impressionar logo de cara, e o melhor: não perde o ritmo em momento algum ao longo das 2h45 de filme. O figurino, além dos diversos looks YSL, evolui conforme o tempo passa na narrativa. Algo muito interessante, pois não há uma overdose de roupas YSL, e sim uma grande representação da moda da época.

Atriz Léa Seydoux como a personagem: Loulou de la Falaise, a musa do estilista francês

Dirigido por Bertrand Bonello (L’Apollonide – Os Amores da Casa de Tolerância e O Pornógrafo), Saint Laurent se perde um pouco nas longas cenas de boates, drogas e diálogos. Não há uma trama central, o que firma a estrutura do longa ser biográfico e ser uma extensa narrativa do auge da marca. A empatia com os personagens, inclusive com o próprio protagonista, demora um pouco para acontecer, a todo momento você pode se perguntar “Ok, mas onde eles querem chegar com isso?”, o que talvez tenha sido um tiro no escuro optado pela própria direção. Por não ter uma problemática central e os acontecimentos demorarem para acontecer, o telespectador pode perder o interesse ao longo da história.

O roteiro valoriza e tenta expor ao máximo o lado psicológico e comportamental do estilista, o que leva Gaspard Ulliel a dar um show de atuação. O filme se equilibra entre o ponto de vista dele, quanto mente criativa e seus anseios, desejos e vícios, e do seu marido, Pierre Bergé, que luta pelo fortalecimento e valorização da marca enquanto Saint Laurent se droga e não foca no trabalho. O auge e a queda pessoal do estilista são bem apresentadas e regados à exageros e cenas fortes, incluindo a do seu cachorro comendo acidentalmente suas pílulas. A liberdade sexual do estilista e atitudes polêmicas também aparecem para compor e enriquecer a obra.

Vale a pena conferir Saint Laurent no cinema? Se você for um grande fã do cinema liberal europeu ou fã/profissional da moda, sim. Exibido no festival de Cannes, o filme foi escolhido para representar a França na disputa do Oscar de filme estrangeiro em 2015, e estreia nos cinemas brasileiros no dia 13 de novembro.

Até a próxima.

Comente via Facebook!
Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

Categorias
Criticas

Ver também