São Paulo Trip | EXCLUSIVO: Entrevista com Phil X da banda BON JOVI

PHIL X, O ESCOLHIDO DE JON BON JOVI Por Maurício Nunes  O Bon Jovi surgiu na década de 80 e tomou de assalto o showbusiness da época. Dominou por...

PHIL X, O ESCOLHIDO DE JON BON JOVI

Por Maurício Nunes

 O Bon Jovi surgiu na década de 80 e tomou de assalto o showbusiness da época. Dominou por dezenas de semanas os primeiros lugares do Hit Parade de todas rádios pelo mundo. O sucesso fez com que a banda lotasse estádios mundo afora, vendesse milhões de CDs e faturasse centenas de prêmios da indústria. Já faz praticamente quatro décadas desde este “boom” e a banda, diferente das demais da época, se modernizou e foi evoluindo letras, melodias e arranjos com o tempo, álbum após álbum.

Mesmo com os altos e baixos normais numa carreira de muito sucesso, a banda nunca perdeu a majestade e continua conquistando até hoje corações e mentes. Com quase 200 milhões de CDs e uma vasta coleção de Hits de fazer inveja a qualquer banda do mundo, o Bon Jovi se apresentou no Rock in Rio (22/10) com um show morno, mas foi em SP, no  São Paulo Trip Festival 2017 (23/10) que a banda realizou um show apoteótico, considerado até pelo próprio cantor, explicitamente emocionado, ser o melhor show desta nova turnê.

Richie Sambora, guitarrista e parceiro de Jon Bon Jovi, líder da banda, por motivos pessoais deixou a banda em 2013. Jon Bon Jovi não titubeou, pois a locomotiva não pode parar, e foi em busca de um novo escudeiro. Era quase uma missão impossível, pois Richie na banda tinha o peso de um Joe Perry, um Keith Richards ou um Slash, portanto havia o risco dos fãs não aceitarem a troca. Mas como para Jon Bon Jovi nada é impossível, eis que surge nas telas do YouTube um exímio guitarrista greco-canadense, Philip Xenidis que conquistou não apenas Jon Bon Jovi, mas também John Sharks, produtor da banda, os demais integrantes e o principal: os fãs!

Tive o inenarrável prazer de conversar com um dos caras mais bacanas que já entrevistei. Com um carisma fora do comum e um excelente bom humor, Phil X, como é conhecido, mostrou que nem só de cordas e melodias se faz arte. Phil tem o segredo da juventude eterna e domina como poucos, e com maestria, a tão subestimada arte da simpatia.

Crédito: Maurício Nunes

Maurício Nunes: Sempre admirei seu trabalho com The Drills e acompanhava seu canal do YouTube, porque você tem uma energia fascinante, bom humor e um talento musical absurdo. Hoje você faz parte do mainstream tocando numa das maiores bandas do mundo. O que mudou em sua vida?

Phil X: Em primeiro lugar… Muito obrigado por suas amáveis ​​palavras. Tudo o que eu sempre quis fazer toda a minha vida foi viver de música. Quando você se dedica demais ao instrumento, você faz música, mas também tem de ter um trabalho diário (ou três, como meu caso) para pagar suas contas. Se você se deixar levar pela frustração, você desiste da música e apenas trabalha em um emprego normal com arrependimento pelo resto da vida. Isto jamais foi uma opção para mim. Em 1999, tive a sorte de ser descoberto por vários produtores que começaram a me contratar para tocar em discos de artistas que produziam. Entre estes, estão Rob Zombie, Alice Cooper, Kelly Clarkson e Avril Lavigne, então meu “dia de trabalho” tornou-se “tocar guitarra”. Embora eu ainda quisesse ser um artista conhecido, além de músico de estúdio, era um sonho a se tornar realidade tocar em estádios e vender discos para pagar minhas contas agora só com música.

MN: Mas o canal do YouTube também bombou antes de Bon Jovi, certo?

P: Sim, a mania de canais no YouTube explodiu e BAM!!! Comecei a fazer essas demonstrações de guitarra vintage para o Fretted Americana com meu amigo Dustin Jack e algumas pessoas começaram a nos acompanhar pelo YouTube. O canal se tornou um sucesso, porém mais restrito à músicos. Mas onde quer que você estivesse, sempre haviam pessoas que lhe reconheciam pelo trabalho. Era uma certa fama chegando. (risos) Aí o sonho, enfim, aconteceu e chegou o Bon Jovi. Agora você viaja pelo mundo em um jato e toca em arenas e estádios lotados. Os fãs na rua querem seu autógrafo e lhe entregam o novo disco da banda e pedem que você assine ao lado de sua foto ou até mesmo no casaco ou no braço deles. O QUE???? (risos) É tudo muito LOUCO!

MN: Você é um incrível guitarrista, bastante técnico e virtuoso. Para chegar neste nível são horas e horas diárias de estudo constante e nota-se em você uma total disciplina,  portanto como fica a sua rotina de estudo? Mudou muito com a turnê?

P: Obrigado novamente. Essa é uma ótima pergunta. Quando pego um violão no meu quarto de hotel no dia de um show, geralmente é apenas pra ficar solto, então eu simplesmente trabalho em movimentos lentos para me concentrar apenas na precisão. Nos dias de folga, escrevo e trabalho em alguns riffs, melodias e letras. Às vezes minhas mãos estão bobas e não estão nada dispostas a tocar, mas eu tento conquista-las, pois aí mora o charme da disciplina. (risos)

MN: Como foi sua entrada na banda Bon Jovi? Jon encontrou você pelo YouTube? Como foi?

P: Na verdade, foi John Shanks (produtor de muitos álbuns do Bon Jovi e atualmente tocando a 2ª guitarra na turnê da banda) que começou a assistir meus vídeos no YouTube. JBJ perguntou a John “quem seria o cara ideal, caso de a banda precisar de alguém para intervir”. Shanks disse: “Você tem que conseguir esse cara: Phil X. Ele pode tocar e cantar qualquer coisa.” Lembro-me que Shanks me ligou e disse: “Eu acho tenho um show para você. É um grande show, mas não posso dizer o nome da banda por telefone. Você pode vir no meu estúdio amanhã?” Era como Missão Impossível. (risos) “Se eu disser a você, eu terei que matá-lo”. Merda, eu pensei. Estou ferrado agora. (risos) E a história se encarregou do resto. Hoje, olhamos para trás e rimos porque estamos juntos nesta missão agora nada impossível. (risos)

MN: Você já esteve em algum concerto de Bon Jovi antes de tocar com os caras? Qual a sensação de saltar do público direto para o palco de uma banda de sucesso?

P: Eu vi a turnê “New Jersey” na minha cidade natal de Toronto, no Canadá. Eu comprei os ingressos, encontrei meus assentos nas arquibancadas e assisti todo esse show completamente boquiaberto. Eu acho que “Livin On A Prayer” é uma das melhores músicas de ROCK’N’ROLL de todos os tempos. Eu ainda tenho arrepios quando toco essa música e eu já a executei centenas de vezes com a banda. Tico Torres (bateria) e Hugh Mc Donald (baixo) formam uma “cozinha” de ritmo incrível para tocar e David Bryan é um gênio nos teclados. Está tudo sendo incrível.

MN: Quando Richie Sambora esteve no Brasil no ano passado, tive o prazer de conversar com ele e  comentei sobre você. Ele foi extremamente sincero e elegante, e discordando do que muita gente diz, ele te elogiou. Você já se encontrou com Richie Sambora? Como foi?

P: Na verdade, ainda não nos encontramos. É engraçado porque ouvi dizer que ele dificultaria o processo da troca e isto nunca ocorreu. Richie foi muito gentil e inclusive convidou Takumi, seu técnico de guitarra para ser também o meu técnico e ainda disse que eu poderia usar qualquer equipamento ou até suas guitarras, se necessário. Achei que era uma oferta bastante surpreendente para alguém que não me conhecia. É um mestre na guitarra e um cara generoso.

MN: Quem são seus ídolos na música? Você conheceu algum deles pessoalmente? Como foi sua reação?

P: Os ídolos que tive a sorte e chance de conhecer são Eddie Van Halen, Steve Lukather, Billy Gibbons, Robin Zander, Dug Pinnick, Derek St. Holmes, Billy Sheehan, Tony Iommi, Geezer Butler…Muitos ídolos, né? (risos) E na verdade, a lista continua. (risos) Eddie foi um contato muito breve, mas bastante emocionante. A maior parte do resto desta turma eu já toquei junto e com alguns eu me tornei amigo e ainda mantenho contato, o que é  mágico quando você pensa nisso. Eu sou um grande fã de bateria, então, quando o baterista da DRILLS não estava disponível para gravar nosso 4º registro em 2014, liguei para todos os bateristas que toquei em outros discos de artistas e pedi-lhes que tocassem no meu. Imagine a cena: meus ídolos tocando no meu álbum. Wow! (risos) Eu sou tão fantasticamente afortunado. Tommy Lee, Taylor Hawkins, Abe Laboriel Jr., Kenny Aronoff, Matt Chamberlain, Brian Tichy, Glen Sobel, Ray Luzier e a lista continua..

MN: Você, por ser um músico de origem grega, já tocou ou toca Bouzouki? No Brasil há um instrumento com um som quase que semelhante: a viola. Você sabe o que é? Dei uma Giannini para Joe Perry quando esteve aqui.

P: Eu toco Bouzouki. Meu pai tocava, então fazia sentido adotá-lo. Eu acho que o meu estilo de escolha é muito influenciado pelo Bouzouki Nunca toquei Viola, mas tenho certeza de que eu adoraria tocar numa das faixas do novo álbum do DRILLS. (risos)

MN: Existe alguma banda ou artista em particular que você sonha em compartilhar um palco ou participar de um álbum? Quem?

Normalmente, isso é difícil de responder, mas fui perguntado na semana passada sobre isto e sinceramente eu acho que tocar ao lado de Jimmy Page seria incrivelmente insano.

MN: Há uma busca desenfreada pela Fonte da Juventude. Mercados bilionários faturam em cima disto.  Você tem 51 anos, mas sua aparência e vitalidade é de um garoto de 30 anos. Qual o segredo? Se houver algum e você ainda não registrou, você pode me passar?

P: (rindo muito) Eu acho que o segredo é fazer o que você ama e amar o que você faz. Nunca fumei, nunca usei drogas e não sou de beber muito álcool. Eu realmente acho que tem muito a ver com isso e claro, tudo graças ao Rock and Roll. (risos)

Para conhecer melhor o trabalho de Phil X:

www.philx.tv
www.philxfanclub.com

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