Será que Bright merece mesmo tanto ódio nas críticas?

Bright, o primeiro blockbuster da Netflix, foi considerado o pior filme do ano Desde que um bilionário órfão e um homem mais rápido que uma locomotiva descobriram que suas...
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Bright, o primeiro blockbuster da Netflix,
foi considerado o pior filme do ano

Desde que um bilionário órfão e um homem mais rápido que uma locomotiva descobriram que suas mães tinham o mesmo nome, o esporte que virou febre nas internets é assistir a discordância entre a crítica e os fãs sobre a qualidade de um projeto. Vimos recentemente isto com Os Últimos Jedi, e mais recentemente, Bright, o novo filme da Netflix.

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Parafraseando Fallout: “War. War never changes.”

Orcs, humanos e elfos

O mundo de Bright é interessante. Imagine um universo a la Senhor dos Anéis, onde em tempos imemoriais um Senhor das Trevas surgiu para tomar controle de tudo. Os orcs, como era de se esperar, se aliaram ao vilão e restou aos homens e elfos forjarem uma grande aliança para derrota-lo. Dois mil anos depois, nos tempos de hoje, o mundo é radicalmente diferente, com estas diferentes raças tentando conviver pacificamente. Os humanos, para variar, seguem a vida; os Orcs são relegados à periferia por terem se aliado ao tal Senhor das Trevas milênios atrás, e os Elfos, com toda as suas caraterísticas overpower, se tornaram a elite cultural e financeira do mundo.

Em Los Angeles, o policial Daryl Ward (Will Smith) leva uma vida complicada. Ele está se recuperando de um tiro que levou na rua e, para piorar sua situação, ele é responsável por ser o parceiro de Nick Jakoby (Joel Edgerton), o primeiro policial Orc na corporação. Além de aguentar o preconceito, precisa enfrentar policiais corruptos que prefeririam que Jakoby “sumisse” sob circunstâncias duvidosas. Ambos acabam se deparando com uma grande conspiração quando encontram um secto de elfos renegados liderados por Leilah (Noomi Rapace) que pretende usar suas habilidades de Bright para ressuscitar o tal Senhor das Trevas.

Bright?

Sim. No mundo de Bright os…. Bright são seres que nascem com grande capacidade para usar magia. São os únicos que podem portar varinhas mágicas, artefatos extremamente poderosos que podem realizar qualquer desejo. O surgimento de um Bright é mais comum entre elfos, mas de vez em quando surge um humano com esta capacidade. Essencialmente é o papel do “escolhido” que permeia mundos de fantasia.

E por que falam tão mal do filme?

Bright tem muito potencial e uma ideia central interessante, mas não faz muito com nenhum dos elementos. É um problema insistente em praticamente tudo que o roteirista Max Landis cria. Ele começa com uma ideia interessante, mas não consegue desenvolvê-la muito além do ponto de partida (veja filmes que ele escreveu como American Ultra e Victor Frankenstein para entender como uma boa ideia sozinha não sustenta a trama). Em Bright, muito pouco dos elementos fantasiosos são explorados além do mínimo exigido para avançar a história.

Boa parte da mitologia e acontecimentos são verbalizados e não exibidos. Do começo do filme, fica claro que os Orcs são excluídos da sociedade por terem se aliados ao Senhor das Trevas, mas no meio do filme Jakoby revela que foi um Orc que uniu todos os exércitos, o que exatamente é um Bright fica jogado no meio do falatório e muitos personagens são introduzidos rapidamente apenas para ressurgirem no filme muito tempo depois, deixando sua presença confusa. Em um momento, é possível ver um gigantesco dragão sobrevoando Los Angeles, anões são mencionados e o papel  dos elfos no mundo é intrigante, mas nada disso contribui de forma significativa.

A trama de Bright permanece centrada nos dois policiais tentando sobreviver a noite enquanto gangues de criminosos, orcs, elfos renegados e policiais corruptos o perseguem, contando essencialmente, uma história policial bem genérica. É uma verdadeira pena, porque Smith e Edgerton têm carisma de sobra e uma boa química e, com exceção de, talvez Shadowrun (e olhe lá…) e Hellboy, são poucas propriedades que brincam com a ideia de transportar um mundo de fantasia medieval para os dias de hoje.

E mesmo assim…

Existe alguma coisa estranhamente cativante no filme, os poucos momentos onde o potencial para um filme melhor ganha mais destaque são suficientes para prender a atenção até o fim. Os poucos vislumbres dentro do que os Orcs fazem nos dias de hoje, como os elfos vivem em seus bairros de elite, e o papel dos humanos relegados à segundo escalão; são intrigantes e nos fazem imaginar o que Bright poderia ser nas mãos de um roteirista mais inventivo e competente.

A direção de David Ayer funciona muito bem nos momentos menores, afinal, com exceção do sensacional Corações de Ferro, seus filmes mais bem trabalhados são Tempos de Violência e Marcados para Morrer, que são conhecidos por uma filmagem mais íntima e em proximidade com os protagonistas. Funciona muito bem para thrillers policiais, nem tanto para épicos de fantasia. A edição também peca um pouco, criando um continuísmo confuso nas cenas mais frenéticas, um problema que infelizmente, parece ser herança de Esquadrão Suicida.

Vale a pena?

Olha, vamos ser realistas. Se você já paga Netflix e tem umas duas horas para matar, você pode muito bem ver Bright e tirar suas próprias conclusões. Certamente é uma proposta interessante e já confirmaram uma continuação. Não é o tipo de filme que vai mudar a vida de ninguém, mas certamente está longe de ser o pior do ano (só o fato de todos os bigodes permanecerem intactos, já é um mérito). É um longa que apesar de ser levemente sem sal, tem seus momentos e, convenhamos, 80% dos filmes atualmente não sofrem exatamente disso?

Até a próxima!

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Criticas

Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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