Steve Rogers, o Capitão América é revelado como agente da Hidra

Em novo quadrinho, Capitão América trai seus ideais Para combater o barulho que a DC Comics fez com o lançamento de seu ‘renascimento’, a Marvel lançou Captain America: Steve...

Em novo quadrinho, Capitão América trai seus ideais

Para combater o barulho que a DC Comics fez com o lançamento de seu ‘renascimento’, a Marvel lançou Captain America: Steve Rogers #1, onde já na primeira edição, o bandeiroso Capitão América é revelado como um agente da HIDRA. É claro que, por estarmos falando de quadrinhos, eventualmente teremos alguma revelação que este personagem é de um universo paralelo, um Skrull, uma mazela criada pelo cubo cósmico ou um sem-números de explicações meta-existenciais pseudo-científicas para justificar como o símbolo máximo de justiça dos EUA na Marvel sempre foi um agente essencialmente nazista.

Mesmo sendo mais uma jogada publicitária, a obra criada por Nick Spencer, Jesus Saiz e Joe Caramagna exploram a raiz de certos males da sociedade através de uma lente bastante contemporânea. Antes de mergulharmos, segue um breve histórico recente do personagem para deixar todos no mesmo barco. O soro de super soldado havia deixado o corpo do Capitão América acelerando seu envelhecimento até seus 90 anos de idade, em Avengers: Standoff!, uma entidade chamada Kobik, na verdade uma manifestação viva de um Cubo Cósmico, restaura os poderes de Steve Rogers. Durante este época, Sam Wilson, o Falcão, assume o manto de Capitão América. Os dois super soldados chegam num acordo e ambos decidem usar a mesma identidade e cada um lutar contra o crime a sua maneira.

Captain America: Steve Rogers #1, começa com o Capitão batalhando agentes de uma nova e reformada HIDRA a bordo de um trem. Um deles pretende se sacrificar ao explodir um colete explosivo e destruir o trem. Enquanto o bandeiroso heroicamente batalha contra os vilões, a trama intercala a narrativa com a origem de  Robbie Dean Tomlin, o terrorista suicida a bordo do trem. Nascido e criado em um lar disfuncional, Robbie cresceu com os olhos grudados na TV onde fugia da pobreza e das discussões constantes dos pais. Sem dinheiro para a faculdade ou oportunidades de emprego, se torna ladrão de carros e eventualmente vai preso. Na cadeia, para se proteger, termina caindo nas graças da Nação Ariana. Sai da cadeia, novamente não encontra grandes oportunidades, acaba viciado, consegue se reerguer e reconstruir sua vida. Até que um belo dia, é convidado por um amigo dos tempos de cadeia a participar de um encontro.

O encontro é um comício ministrado por Johann Shmidt, o Caveira Vermelha. Em um discurso inflamado, fala sobre as “hordas de imigrantes” que assolam sua Terra Mãe, sobre o fraco governo alemão que, ao invés de reforçar sua soberania, abre as portas para as massas que trazem consigo, entre outras coisas, o crime. Nada novo ou inesperado do maior vilão nazista do universo Marvel, mas é fascinante testemunhar tais palavras sob a ótica de Robbie que, após anos e anos de infortúnios, escuta da boca de um carismático orador que nada disso é culpa dele e sim, do “outro”, aquela figura conveniente que serve para depositar todos os problemas da sociedade bastando denominar uma cor, orientação sexual, religião, gênero ou qualquer outra identificação que seja conveniente para torna-lo o inimigo e símbolo de todos os problemas de uma determinada geografia.

Esta nova HIDRA está longe dos soldados de uniformes verdes e planos mirabolantes para derrotar super-heróis. Ela é formada por pessoas comuns que, por crises econômicas, desempregos, pobreza, falta de acesso à oportunidades entre diversos motivos, se identificam e, o pior, se sentem acolhidos em um mundo que aparenta ter os deixado para trás. Robbie não acredita que todos os seus problemas são culpa dos judeus, dos imigrantes ou de qualquer outra minoria, mas com os rostos cheios de lágrimas, se sente acolhido e amparado por pessoas que não irão abandona-lo. São sob estas condições que terroristas, facções criminosas e grupos extremistas religiosos recrutam seus soldados, por meio do encantamento, do acolhimento e do senso de pertencer.

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Uma terceira trama acompanha a história. Durante a infância de Steve Rogers, na década de 20, vemos que seu pai era um homem ignorante e abusivo, propenso a agredir fisicamente sua esposa. Uma mulher misteriosa aparece e protege a mãe de Rogers. Em meio à Grande Depressão, a mãe de Steve fala sobre como ela gostaria de ensinar ao seu filho sobre o senso de dever que um tem com sua comunidade, sobre como todos devem se ajudar, neste momento, a mulher entrega um convite para um comício de pessoas que pensam desta forma. Para uma organização chamada HIDRA.

Se o Capitão América realmente é um agente da organização que ele passou tantos anos batalhando, ainda vamos descobrir. De qualquer forma é uma leitura fascinante para entender porque figuras como Donald Trump e Jair Bolsonaro, com seus discursos inflamatórios e violentos, conseguem encantar as multidões e trazer pensamentos perigosos à tona.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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