Tarantino visita o Brasil para apresentar os Oito Odiados

Quentin Tarantino esteve no Brasil para falar sobre seu novo filme Os Oito Odiados nem havia saído do forno direito e já havia uma expectativa imensa em torno do...

Quentin Tarantino esteve no Brasil para falar sobre seu novo filme

Os Oito Odiados nem havia saído do forno direito e já havia uma expectativa imensa em torno do filme. Talvez pela produção mais conturbada e polêmica da carreira de Quentin Tarantino, considerando o vazamento do roteiro ou o possível cancelamento da produção e, como sempre, a gigantesca ansiedade dos fãs de um dos diretores mais aclamados da década de 1990.

No dia 23 de Novembro, o diretor esteve em São Paulo ao lado do ator Tim Roth para conversar com a imprensa sobre o novo projeto e apresentar uma versão ainda não finalizada da obra. Em um bate papo descontraído, o diretor conversou sobre sua inspiração para Os Oito Odiados, sobre finalmente conseguir uma trilha sonora criada pelo gênio Ennio Morricone, o criador de The Ecstasy of Gold – a música que o Metallica usa para entrar nos palcos, e seus planos para o futuro.

Tarantino começou o evento com seu tradicional falatório em velocidade metralhadora. Apesar de se mostrar um pouco incomodado com a falta de preparo de alguns entrevistadores, se mostrou amigável e descontraído e usou as perguntas genéricas da imprensa como gancho para explorar os elementos narrativos importantes para o roteiro de Os Oito Odiados, sua evolução técnica como cineasta e seu amadurecimento como diretor, sempre pontuado com boas histórias e risadas de Tim Roth. “Quando eu comecei com Cães de Aluguel, eu era o principiante e Tim era o veterano. Ele me dava as broncas para eu dar bronca na produção e fazer a gravação rodar”, brinca o diretor.

Quentin-Tarantino-No-Brasil-Os-Oito-Odiados-02

Apesar de ser uma presença constante nos filmes de Tarantino, as músicas de Ennio Morricone sempre foram reutilizações de outros filmes do Maestro, como por exemplo The Braying Mule e Un Monumento, dos filmes Os Abutres tem Fome (1970) e Os Cruéis (1966) respectivamente, que foram usados na trilha sonora de Django Livre. O diretor, com muito orgulho, comenta como, pela primeira vez, conseguiu sentar com o criador das lendárias trilhas dos filmes de Sergio Leone, consagrado diretor italiano e um dos maiores nomes do gênero spaghetti western, aqueles faroestes sujões cheios de sujeitos mal encarados interpretados por Clint Eastwood e Lee van Cleef, para criar a música tema do novo filme. Inspirado pelo senso de ameaça iminente do roteiro, Morricone criou uma música que refletia este clima.

Quanto as inspirações para a criação de seu oitavo filme, Tarantino falou de O Enigma de Outro Mundo (1983) de John Carpenter, especialmente pela premissa de pessoas presas em um local claustrofóbico com uma ameaça invisível e sem a possibilidade de fuga devido a uma nevasca. Apesar de muito da estrutura do filme ser semelhante a Cães de Aluguel (1992), o diretor negou a semelhança.

Quentin-Tarantino-No-Brasil-Os-Oito-Odiados-03

Sobre futuros projetos, Quentin Tarantino falou que pretende dirigir somente 10 filmes em sua carreira, que só pode ser considerado um diretor de westerns após fazer três filmes no gênero e não quis elaborar se realmente fará o terceiro capítulo da saga Kill Bill como havia prometido. Quando questionado sobre o elemento de conflito racial no longa e se havia interesse em colaborar com o diretor Spike Lee (este protagonista de vários conflitos com Tarantino ao longo dos anos), Quentin, de forma curta e grossa, disse que não. Ficou claramente exaltado com a insistência de alguns jornalistas mais sensacionalistas em elaborar o assunto e mostrou que de fato, os atritos com Lee ainda são feridas recentes. O atrito entre ambos começou com a crítica de Spike Lee sobre o uso da palavra “nigger” nos filmes de Tarantino, uma palavra americana de conotação extremamente racista. Segundo Lee, não há problemas em usar a palavra no roteiro, mas o diretor parecia obcecado por ela. Desde então, houveram diversas trocas de farpas entre ambos ao longo dos anos. “Eu tenho dois filmes ainda para fazer e você acha que eu vou desperdiçar com aquele bostinha?”, diz Tarantino, “O dia que o porra do Spike Lee trabalhar comigo vai ser o dia mais feliz da vida daquele filho da puta.”

Apesar dos trancos e barrancos da imprensa brasileira, ver ao vivo um dos diretores mais renomados da atualidade e ouvir sem cortes um pouco de sua forma de pensar, seu processo criativo e como ele usa seu conhecimento enciclopédico de cinema para se inspirar foi uma experiência única. Nós da Freakpop adoramos o diretor e já discutimos em exaustão tudo sobre sua obra, então ver ele ao vivo?

Foi muito maneiro. Ou como dizem na França, le muito maneiro.

Até a próxima!

Comente via Facebook!

Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

Categorias
EntrevistasFilmes

Ver também