The Normal Heart – O filme da HBO ganhador do Emmy 2014

Como foi conviver com a AIDS no início da década de 80? The Normal Heart é um longa americano produzido pelo estúdio da HBO que chamamos de “made for...

Como foi conviver com a AIDS no início da década de 80?

The Normal Heart é um longa americano produzido pelo estúdio da HBO que chamamos de “made for tv”, ou seja, nenhuma sala de cinema exibiu esse longa. E assim como Behind the Candelabra (2013), que também é da HBO, o resultado é original, dramático e impactante.

O filme dirigido por Ryan Murphy conta a história da epidemia do “Câncer Gay” no início da década de 80 em Nova York. A Dra. Emma (Julia Roberts), se alerta ao surgimento de uma nova doença que tem levado à óbito seus pacientes homossexuais. Enquanto isso, Ned Weeks (Mark Ruffalo) inicia um grupo de apoio aos portadores da até então desconhecida AIDS, a Gay Men’s Health Crisis. Emma e Ned tem o mesmo objetivo em vista: atrair a atenção dos dirigentes do país para que o vírus seja estudado. Enquanto ela batalha para conseguir um espaço na área da saúde que invista em suas pesquisas, Ned defende a causa e expõe na mídia que o assunto está sendo tratado de forma pejorativa e sem importância. Ele se une à Bruce Niles (Taylor Kitsch),  Tommy Boatwright (Jim Parsons) e Mickey Marcus (Joe Mantello) e começa uma verdadeira guerra em defesa dos portadoras da doença.

Por trás da constante busca de fundos para pesquisa e desenvolvimento de novos remédios, The Normal Heart explora com maestria um lado que “ninguém quer falar”. Seriam os homossexuais responsáveis por proliferar a epidemia da AIDS? Eles estariam dispostos a modificar seu estilo de vida, que era pouco aceito na época, em prol da saúde? Parte dos homossexuais estão concentrados em um bairro de Nova York, neste reduto não há julgamentos sociais e possui um padrão de comportamento que é aceito entre eles. Dra. Emma constata, por meio das mortes, que o sexo entre eles está relacionado à quantidade de óbitos e pessoas doentes. Existe todo um cenário social que é exposto, criticado e julgado entre eles mesmos. Do outro lado da moeda, a relação entre héteros e homossexuais fortifica que a doença “pertence” aos gays, até que se prove o contrário.

O relacionamento de Ned e seu irmão Ben Weeks (Alfred Molina) explora como Ned era tratado pelos pais por ser “diferente”, mas Ben não compreende o estilo de vida de Ned, por mais que eles sejam irmãos. Diálogos fortes, intensos e um fechamento emocionante são características deste núcleo do filme.

Ned também está apaixonado! Ele tem Felix Turner (Matt Bomer) como seu companheiro e ele está com AIDS. Ned se arma mais ainda em prol da causa e corre contra ao tempo para conseguir fundos para pesquisa do vírus, mesmo que isso faça com que ele seja visto como uma pessoa rude, polêmica e impiedosa ao expor a realidade. Mas como é estar com alguém doente? É neste momento que esquecemos o romance dramático existente em Filadélfia (1993) e que Ryan Murphy joga na sua cara, sem dó, como é estar e acompanhar o dia a dia um portador do HIV. Desde os momentos onde os doentes estão com outras pessoas, até na intimidade do casal entre quatro paredes.

The Normal Heart é um grande balde de água fria. Um filme que propõe ao telespectador outra visão sobre o início da AIDS, que te leva a entender que os seres humanos, independente da opção sexual, também foram responsáveis pela epidemia, seja transmitindo a doença ou se negando à ajudar. Em  uma época sem a tecnologia de hoje, a falta de interesse sobre o problema era totalmente deixada de lado em função da pouca liberdade sexual conquistada. Conhecem aquele ditado? “Nós somos responsáveis pelas nossas ações.” Pois é.

“Você não consegue ver como é importante para nós poder amar de forma aberta sem nos sentirmos culpados?” Mickey Marcus.

Nos quesitos cinematográficos o filme tem particularidades muito ricas. O tom escuro e levemente nebuloso te leva a viajar para a década de 1980. Em momentos mais tensos, a iluminação é trabalhada para te envolver ainda mais na trama. O filme é muito bem dirigido, além de ter duas grandes atuações: Julia Roberts, como uma cadeirante vitima da Poliomielite, e Mark Ruffalo.

O longa ganhou o Emmy 2014 de Melhor Filme para TV e com certeza não poderia ser diferente. O roteiro é assinado por Larry Kramer, autor da peça The Normal Heart que foi produzida em 1985, em Nova York. Seu objetivo com o teatro era expor sua frustração com as burocracias do governo exigidas na época.  Ele também é o fundador da Gay Men’s Health Crisis que hoje é uma das maiores empresas privadas de assistência aos portadores do vírus HIV. Kramer esteve na premiação do Emmy que aconteceu ontem (25/08) em Los Angeles.

Vale a pena conferir? Sim. The Normal Heart peca por ter um final focado no romance de Ned e Felix e por não encerrar a trajetória de importantes personagens da trama. Mas depois de duas horas tratando o assunto de forma crua, um final mais “leve” era necessário e bem vindo.

Até a próxima.

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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