The Post: A Guerra Secreta mostra que a luta pela liberdade de imprensa não é recente

Tom Hanks e Meryl Streep lutam pela liberdade da imprensa em The Post: A Guerra Secreta Em The Post: A Guerra Secreta, Steven Spielberg narra uma complexa trama tirada...
The Post: A Guerra Secreta
The Post: A Guerra Secreta

Tom Hanks e Meryl Streep lutam pela liberdade
da imprensa em The Post: A Guerra Secreta

Em The Post: A Guerra Secreta, Steven Spielberg narra uma complexa trama tirada de um dos momentos mais questionáveis da história dos Estados Unidos. Quando um analista militar desiludido vaza para o New York Times um gigantesco estudo que revela que há muito tempo os EUA sabia que a guerra do Vietnã seria um desastre, o governo americano liderado por Richard Nixon movimenta uma ação judicial impedindo que o jornal publique mais informações do estudo vazado.

Entra o Washington Post, que até então era um pequeno jornal para assumir o risco. O editor chefe, Ben Bradlee (Tom Hanks) precisa convencer Katharine Graham (Meryl Streep) a relatar o estudo. A pressão é enorme, o jornal está prestes a ofertar ações no mercado pela primeira vez e o conselho exerce muita influência em Graham, que assumiu a liderança após seu marido se suicidar. Se a pressão jurídica for demais, o Washington Post irá falir.

A Guerra Secreta

Um presidente polêmico que abertamente antagoniza a imprensa a ponto de usar o sistema público para censura-la não é exatamente novidade na era Trump. Semelhante à Lincoln, onde Spielberg mostra que conflitos bipartidários tomando precedência sobre a ética do problema não é uma questão que nasceu na era Obama, The Post: A Guerra Secreta mostra que o papel do jornalismo para reportar com transparência casos de corrupção e conspiração não é uma jornada fácil.

O governo americano não é o único “vilão” da trama. A socialite levemente perdida de Meryl Streep comanda um poder imenso dentro da operação, porém estamos falando da década de 70 onde as mulheres eram vistas no máximo como secretárias no ambiente profissional. Apesar de comandar o Washington Post, ela tem pouca voz ativa. E uma criação voltada para organizar festas e não um conselho administrativo não ajuda, essencialmente tornando-a uma Miranda Priestley invertida. Algumas cenas mostram esta disparidade muito bem. Em uma cena, Graham entra no pregão da Bolsa de Valores. Do lado de fora da porta estão todas as secretárias e dentro somente os homens, ilustrando muito bem a barreira invisível no mercado de trabalho.

Em outros casos, nem tanto, com Katherine Graham saindo da Suprema Corte e sendo louvada por legiões de mulheres. Graham se tornou um dos símbolos mais icônicos do feminismo dos anos 70, sendo uma líder de empresa e promovendo igualdade de gênero, mas esta cena forçou demais a barra.

Aliás, a prioridade de Steven Spielberg para este filme é clara. The Post: A Guerra Secreta claramente foi criado primeiramente como uma alegoria para tempos atuais e depois como um drama histórico. Certos momentos o diálogo e roteiro quase forçam os atores a piscarem para a audiência de tão na cara que são as comparações.

Trama complexa

O filme apresenta alguns problemas estruturais típicos de filmes do Spielberg. Semelhante à Contatos Imediatos do Terceiro Grau e A Lista de Schindler, o diretor demora para estabelecer todos os personagens dentro do contexto principal e joga muitas cenas desconexas testando sua atenção até todos os começarem a interagir entre si e de fato começar a trama.

O diretor também aposta que a audiência minimamente saiba sobre o período histórico em questão. Praticamente nenhuma figura pública importante do governo ou do Washington Post ganha um introdução, deixando a narrativa um pouco confusa para quem não fez um pouco de Google-Fu antes de entrar no cinema.

De qualquer forma. The Post: A Guerra Secreta mostra, com alguns deslizes históricos, um momento importante e repleto de revoluções. Onde por meio da liberdade da imprensa, o todo poderoso governo dos Estados Unidos foi confrontado e perdeu. Onde uma simples socialite aprendeu o valor do papel da mulher e tomou controle de seu legado. E uma lição importante foi deixada para gerações futuras.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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