Trinta – A história do maior carnavelesco do Brasil

“O povo gosta de luxo; quem gosta de miséria é intelectual.” – Joãosinho Trinta Matheus Nachtergaele (O Auto da Compadecida, Cidade de Deus) dá vida à lenda do carnaval...

“O povo gosta de luxo; quem gosta de miséria é intelectual.” – Joãosinho Trinta

Matheus Nachtergaele (O Auto da Compadecida, Cidade de Deus) dá vida à lenda do carnaval do Rio de Janeiro de forma majestosa e muito marcante. Nascido na capital do Maranhão, São Luís, João Clemente Jorge Trinta morou em São Paulo até os 10 anos e mudou-se para o Rio de Janeiro em 1957, para estudar dança clássica no Teatro Municipal. O bailarino, que passou 30 anos no Corpo de Baile do Teatro Municipal, iniciou seu trabalho no Carnaval em 1973 pelo Acadêmicos do Salgueiro, com o enredo Eneida: Amor e Fantasia, ao lado da carnavalesca e artista plástica, Maria Augusta. Mas foi em 1974, que Joãosinho Trinta fez seu primeiro carnaval solo e ganhou seu segundo título com o Salgueiro com o enredo O Rei de França na Ilha da Assombração.

Joãosinho Trinta e Matheus Nachtergaele

O longa biográfico, dirigido por Paulo Machline, retrata exatamente a mudança de palcos do artista e sua estreia no Carnaval carioca. Com formação erudita, Joãosinho Trinta era considerado um gênio. Autodidata, ele possuía conhecimentos profundos de história, filosofia e artes e foi com esse aprendizado que ele revolucionou os espetáculos apresentados pelas escolas de samba. Após dois títulos pelo Salgueiro, Trinta consolidou sua carreira na famosa escola de samba Beija-Flor onde ganhou 5 campeonatos e muitos vices.

O filme Trinta é bem sensível ao tratar de temas como a importância do carnaval para a comunidade e do medo pelo novo. Sua chegada à escola não é exatamente repleta de bons momentos. Trinta precisa, além de entregar um carnaval em 180 dias, lidar com aqueles que o julgam como um bailarino baixinho que fala coisas difíceis. Sem arrogância alguma, Matheus Nachtergaele, dá vida à um personagem educado, não explosivo e de muito foco e determinação. Aos poucos, Joãosinho consegue convencer a todos a sua volta sobre o novo rumo que uma apresentação de escola de samba precisa ter. Sutilmente nosso herói enfrenta suas animosidades com o ex-carnavalesco da escola, Fernando Pamplona (Paulo Tiefenthaler – FDP), e com o diretor do barração, Tinhão (Milhem Cortaz – Tropa de Elite), o antagonista desta história que, apesar de se posicionar contra a chegada de Trinta, é incapaz de prejudicar a comunidade.

Trinta reconstrói a história e o carnaval da Salgueiro de 1974. O telespectador viaja pela mente criativa de um dos maiores carnavalescos que este país já teve. O longa entrega uma enredo emocionante com muita maestria e riquezas de detalhes. Nachtergaele, aos 45 anos, só firma, mais uma vez, que ele é um dos melhores atores de teatro, TV e cinema deste país. A proposta do filme é de mostrar, não só a trajetória de Joãosinho Trinta, mas sim um pouco do que acontece dentro do barracão, nos momentos onde algumas pessoas são responsáveis por tentar fisgar um pedacinho da notoriedade e reconhecimento pelo povo. Trinta explora a cultura brasileira desta festa anual, aquilo que muitos nem sabem ou não possuem interesse de entender.

Vale a pena conferir Trinta no cinema? Com toda certeza. O longa estreia dia 13 de Novembro em 60 salas de cinemas por todo país e tem distribuição da FOX.

Além de conferirmos o longa antes de sua estreia, participamos de uma coletiva de imprensa com o diretor Paulo Machline, os atores Milhem Cortaz e Matheus Nacthergaele e os produtores Matias Mariani e Joana Mariani. Nachtergaele falou da composição de seu personagem após o convite oficial do diretor para interpretar o carnavalesco. O ator leu muito sobre a vida do artista, além de conferir o documentário, também dirigido por Paulo Manchline de 2009, A Raça Síntese de Joãosinho Trinta. Ele se preparou fisicamente, fazendo aulas de balé para acertar a postura e também procurou encarnar alguns trejeitos de fala, comportamento e educação. Uma das cenas mais engraçadas do filme acontece logo após um quase surto de Trinta com a falta de organização do barracão, onde ele berra dezenas de palavrões aleatórios até que todos voltem a trabalhar.

Milhem Cortaz, paulista de sangue e alma e frequentador da escola Vai-Vai, comentou sobre a dificuldade de interpretar um personagem tão carioca e importante para a narrativa. Cortaz citou sua cena onde ele impede o personagem Zé Di, o compositor paulista que vai até o Rio para apresentar um samba para o desfile de 74. Mau humorado e carrancudo, Tinhão o expulsa com uma lista de documentos necessários para se candidatar além de uma famosa frase que com certeza você já ouviu: ” E paulista lá sabe fazer samba?”. Ainda na coletiva, o ator ainda manda uma cutucada para os cariocas dizendo que “paulistano vai menos a praia e estuda mais”, justificando que sim, os paulistanos sabem fazer samba também.

Em clima de alegria, tanto no filme quanto na coletiva, todos os envolvidos com este projeto querem alavancar esta grande homenagem ao falecido carnavalesco que deve ser lembrado por seu longo legado em uma das festas mais brasileiras do país: o carnaval.

Até a próxima.

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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