Vadias do Sexo Sangrento de Petter Baiestorf

Caros leitores do Freakpop Studios: recomendamos que, antes de continuar com o texto, desenhe um pentagrama no chão, orne com uma cabeça de bode preto ao centro, harmonize o...

Caros leitores do Freakpop Studios: recomendamos que, antes de continuar com o texto, desenhe um pentagrama no chão, orne com uma cabeça de bode preto ao centro, harmonize o ambiente com seu disco favorito do Lymphatic Phlegm, ferva água e prepare o mate. É hora de apreciarmos as projeções bestiais da mente doentia de Petter Baiestorf!

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E uma delas, para a qual acenderemos nossas velas agora, é Vadias do Sexo Sangrento (de 2008) – que, em linhas gerais, soa como uma polução noturna de um Baiestorf embriagado com cenas atemporais de uma transa louca e psicótica entre a Simone de Beauvoir e o Seth Putnam (finado mítico vocalista do Anal Cunt). A introdução do filme, uma linda e longa cena de masturbação feminina, montada num enquadramento sem rodeios nem decoros, orquestrada ao som de uma fina seleção de grindcore nacional (Shamatari, I Shit On Your Face e Chuck Norris são algumas das bandas que fazem o soundtrack da cena), é por si só uma autêntica afirmação desse sonho erótico.

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O média-metragem explora, com uma irreverência mordaz, a multiplicidade de inter-relações entre alguns estereótipos de personagens já consagradas no universo insólito e nebuloso da obra de Petter Baiestorf, como o maníaco sexual Esquisito, interpretado por Coffin Souza (diretor de Zombi X, de 2001, Quadrantes, de 2004), o machista conservador Russ (PC, também atua em Zombio 2 – Chimarrão Zombies, de 2013) e uma dose letal de sensualidade gore saltando nas veias da musa Ljana Carrion (protagonista de Arrombada: Vou Mijar Na Porra do Seu Túmulo!!!, de 2007, e Ninguém Deve Morrer, de 2009), na pele de Tura, e Lane ABC (Ninguém Deve Morrer, de 2009, e O Doce Avanço da Faca, de 2010) no papel de Mirza. Neste pandemônico universo paralelo, o narrador, encarnado pelo próprio Baiestorf, explora as desaventuras enfrentadas por Tura e Mirza quando, em pleno gozo da consumação carnal de seus desejos, são interrompidas por Russ, o amante não correspondido de Mirza, que, apoderado de um espírito conservador e machista, impõe-se contra a comunhão das duas. Então, este triângulo amoroso decide resolver as diferenças no melhor estilo Boca do Lixo (estilo cinematográfico surgido em São Paulo na década de 1980): sexo, sangue, tripas, torturas escatológicas e todo tipo de purulência verbal e imagética que comprou com pacto de sangue as almas dos que reverenciam as heresias da Canibal Filmes.

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A história, porém, assume um caráter ainda mais bizarro quando Tura e Mirza descobrem que estão em terras dominadas pelo temível Esquisito, um maníaco sexual, masoquista e colecionador de vaginas. Novamente, as contendas aqui são resolvidas da melhor maneira possível: Mirza e Esquisito se enfrentam num belíssimo duelo de motoserras, onde ambos acabam morrendo.

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Moral da história? Segundo o próprio narrador, tudo teria acabado bem à todos os personagens – ou ainda, “o mundo seria melhor” – se Russ tivesse aceitado Tura no relacionamento, e os três, por sua vez, compreendido e aceitado os desvios comportamentais de Esquisito. Sendo assim, “todos teriam vivido felizes numa orgia deliciosa que duraria duas eternidades”. Este é o sexploitation de Baiestorf: um sarcasmo de cano serrado.

 Com todo o seu lirismo visceral e uma ereção em fúria, o filme altera, recria, mente e desmente sobre sua própria história. Os fatos centrais são contados exatamente para serem parodiados e deturpados, para servirem apenas de farofa e pipoca nesse balaio de magia negra do tinhoso. E aqui jaz o ponto forte do filme: nessas flexões do roteiro, causados por análises e especulações do narrador, aleatório e intransigente, a história vai tomando rumos inesperados, provocando surpresas ao espectador. A obra vai tomando rumos de completa deriva, onde o humor ácido e exagerado da trama vai sendo pontuado (e impulsionado) por cenas brutalmente antológicas, como o pescador, interpretado por Jorge Timm (atuou também em O Doce Avanço da Faca, de 2010), ironizando Russ enquanto este termina de arracar seus intestinos na beira do rio, ou quando Esquisito mostra a Tura sua coleção de vaginas dilaceradas.

Se você, leitor, depois desta breve travessia pelo pântano macabro da obra de Petter Baiestorf, também sentiu seu coração aquecido pelo calor de 5 velas pretas, embalsamado por sangue de bode preto, palpitando no ritmo de um tambor de ritual pagão, e anseia por mais carnificina, escatologia, peitos e ereções, uma grande notícia: o diretor está vendendo pessoalmente os exemplares de suas obras através de seu e-mail! Para adquirir belezas raras como O Monstro Legume do Espaço (de 1995), Cerveja Atômica (de 2003) ou o último petardo do diretor, Zombio 2 – Chimarrão Zombies (de 2013), entre em contato através do endereço [email protected], assine o pacto, unte sua fronte com seu próprio sangue e venda sua alma. Os DVDs chegam em todo Brasil.

 

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