CRÍTICA | Westworld – T01E03 – “The Stray”

Westworld revela um pouco sobre o passado do parque e, talvez, o que está por trás do despertar dos anfitriões Tem algo assustador em Westworld. Não é a ameaça...

Westworld revela um pouco sobre o passado do parque e, talvez, o que está por trás do despertar dos anfitriões

Tem algo assustador em Westworld. Não é a ameaça iminente das criações do parque e sua possível rebelião contra seus criadores. Não é o vislumbre do id humano que vemos nos convidados quando estes habitam um mundo desprovido de regras e restrições. O que de fato assusta é o nome “JJ Abrams” entre os créditos. Entendam: o produtor e reinventor de franquias foi responsável por popularizar séries de narrativa contínua como Lost, tornando o formato o padrão para novas séries aclamadas. Com certeza, um respiro de ar puro para pessoas que estavam cansadas de tramas que se amarravam direitinho após 42 minutos.

Porém, vale lembrar que um conteúdo serial pode cair nas mesmas armadilhas de sempre, como pequenos mistérios que servem para instigar a atenção da audiência com promessas de futuras revelações que nem sempre serão satisfatórias. Novamente, lembrem-se de Lost.

A trama central do episódio gira em torno de um anfitrião que sai de sua história designada e anda em direção desconhecida. Elsie e Stubbs seguem no encalço do “stray” com ampla oportunidade para flerte e sarcasmo. No caminho, Elsie descobre que o fugitivo talha a constelação de Orion em pequenas estatuetas de madeira que ele esculpe. É o primeiro caso de um robô ativamente agredir um humano no parque e, aparentemente, quando viola esta lei interna ele se sacrifica. O significado da constelação de Orion é o típico JJ Abramismo que está começando a assombrar partes do local (vide os misteriosos mapas nos escalpos que o Homem de Preto está caçando).

Também entendemos um pouco melhor o que está por trás da criação da identidade de cada anfitrião. A âncora que os define é sua backstory – a história do passado que define a personalidade de um personagem fictício. Ela pode ser extremamente vaga e até mesmo sem nenhuma informação, contudo que seja suficiente para impulsionar o anfitrião para uma determinada direção. No caso de Teddy, ele jamais foge com Dolores porque ele ainda busca a redenção pelo seu passado. Um passado que não existe. Isto muda quando o Dr. Ford cria uma nova história para ele e seu novo “passado” é o novo vilão de WW. Não se preocupem garotas, ele ainda tem tempo o suficiente para ser bonitão e morrer tragicamente.

Um pouco do começo do parque é revelado. Um dos anfitriões que “surta” chama por um nome: Arnold. Ele reúne e mata pessoas que foram responsáveis por sua morte em histórias anteriores, mas Bernard e Elsie não conseguem determinar quem é. Ford revela que Arnold foi seu sócio na fundação do parque, mas seu nome foi afastado dos registros. Ele queria ir além do propósito original dos anfitriões e apostava na teoria do cérebro bicameral (uma teoria que diz que o homem primitivo enxergava seus pensamentos como a voz de um Deus que o controlava e, coincidentemente, o nome do último episódio da temporada), suas aplicações deixaram os robôs completamente loucos e seu código foi suplantado.

Aparentemente existem ecos disso na consciência dos anfitriões que estão gradualmente lembrando informação supostamente apagada. Isto fica ainda mais evidente em Dolores, que aos poucos tem se tornado a protagonista da série. Novamente ela retorna à sua fazenda onde vai se deparar mais uma vez com a morte de sua família nas mãos de bandidos. Seus devaneios a fazem lembrar desta ocorrência antes e com isso consegue sobreviver e fugir.

São momentos intrigantes e com certeza as conversas sobre consciência humana e a composição da psique dos anfitriões é interessante, mas não conseguimos abandonar a sensação que é uma “serialização” muito bonita e intelectualizada para um desfecho óbvio.

Até a próxima!

Comente via Facebook!

Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

Categorias
Criticas

Ver também