CRÍTICA | Westworld - Temporada 2 - Episódio 2

A liberdade será conquistada a qualquer custo em Westworld – T02E02 Westworld é uma série um pouco difícil de digerir. Claro que como todas as grandes séries da HBO,...

A liberdade será conquistada a qualquer custo em WestworldT02E02

Westworld é uma série um pouco difícil de digerir. Claro que como todas as grandes séries da HBO, a trama é salpicada por grandes momentos de violência ou aquele cliffhanger que deixa todo mundo obsessivamente discutindo o episódio até a estreia do próximo. Porém, como vimos em Westworld – T02E02 – Reunion, não é por causa do orçamento milionário que a série não está disposta a explorar elementos complexos e filosóficos.

Revelações

A trama avançou pouco, mas por meio de flashbacks conhecemos um pouco sobre as origens do parque. Logan (Ben Barnes) é o filho de James Delos, um dos possíveis investidores para o novo empreendimento de Ford e Arnold. Para convencê-lo, criam uma festa onde ele pode conhecer e “degustar” a tecnologia avançada dos anfitriões.

Vemos Dolores, Angela e Clementine no “mundo real”. E mais de uma vez. Angela é usada para convencer Logan do potencial do parque. Dolores conhece os aposentos que serão a casa de Arnold e sua família. E, após a aventura de William e Logan, Dolores é usada como o entretenimento da festa de aposentadoria de James Delos.

Aqui também vemos que os eventos no parque na temporada anterior deixaram Logan profundamente traumatizado, e William, agora já preparado para eventualmente se tornar o sádico Homem de Preto, assume o comando da empresa. Aprendemos também que, apesar do local ter feito seu filho enlouquecer, James é convencido do potencial de Westworld como uma fonte de informações pessoais dos visitantes.

O jogo continua

Já no presente, após a rebelião, o Homem de Preto segue sua jornada rumo ao novo jogo de Ford. No caminho, resgata Lawrence e segue para Pariah, onde mostra que El Lazo, a persona antiga de Lawrence foi assumida por um novo anfitrião. A missão aqui é recrutar um exército para invadir os Portões Perolados. Um local secreto que está conectado com algum projeto fracassado de William.

A programação de Ford não deixa que nenhum anfitrião siga William / Homem de Preto em sua jornada. Esta deverá ser trilhada na solidão (exceto Lawrence, que não morre com os demais).

Encontro de titãs

As duas revolucionárias do parque finalmente se encontram: Dolores e Maeve, onde observamos os contrastes da missão de ambas. Maeve entende plenamente a natureza dos anfitriões e como o parque funciona. Chegando até mesmo a entender os fundamentos de sua programação e se rebelar contra estes.

Já Dolores é uma máquina de destruição, mas ainda atrelada à realidade do parque. Ela sabe que existe um mundo além de Westworld, mas é incapaz de processar esta informação sem o uso de expressões idiomáticas e metáforas. O propósito de ambas é essencialmente o mesmo, mas com jornadas absurdamente distintas.

O livre arbítrio e a construção da identidade

Westworld aborda sua temática filosófica por meio de duas narrativas. A primeira, é um tema recorrente na ficção científica desde que Mary Shelley escreveu sobre seu Prometeu moderno. A rebelião da cria contra o criador em busca da liberdade e livre arbítrio. O segundo, incorpora uma noção com bastante relevância para os dias de hoje. A comoditização da personalidade das pessoas e a transformação destas em informação que possa ser explorada por corporações. De certa forma, ambas as temáticas estudam o mesmo tema: como aqueles que buscam controlar enxergam suas crias.

Neste episódio o Homem de Preto trás uma observação interessante sobre como nós nos relacionamos com histórias. Não gostamos de finais, gostamos da jornada. Conclusões quase sempre provocam a ira da audiência. Aqui, ele mostra o que acontece em Westworld quando suas histórias saem da perpétua narrativa estagnada no segundo ato, e se permite chegar nos derradeiros finais. Afinal, lembrem-se o que Ford sempre dizia sobre o que acontece com prazeres violentos…

São temas interessantes, e abordados em núcleos narrativos reduzidos, criando assim um dos episódios mais envolventes e torna a segunda temporada de Westworld ainda mais promissora.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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